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Estréia: O Dia Depois de Amanhã

Guarulhos, 28 de maio de 2004

O Dia Depois de Amanhã parece resultado de uma colaboração entre Michael Moore e Irwin Allen: é um misto curioso de história sociopolítica e filme de catástrofe.
 
A história é completada com efeitos especiais da mais alta qualidade e o tipo de diálogo que aparece inevitavelmente nessas produções.

Tudo o que o produtor Irwin Allen precisou para fazer o público tremer nas bases foram navios afundados (O Destino do Poseidon), arranha-céus em chamas (Inferno na Torre) ou abelhas assassinas (O Enxame).

Em O Dia Depois de Amanhã, porém, o diretor Roland Emmerich vai muito além, na medida em que apresenta nada menos do que um iminente congelamento do planeta Terra inteiro, em consequência do aquecimento global.

Diante do clima político internacional vigente, sem falar na onda atual de desastres naturais ocorrendo perto de nós, será que o público vai se dispor a sair de casa para enfrentar a visão de partes do país sendo totalmente devastadas?

Seja como for, a mãe natureza pode ser a verdadeira estrela do filme, mas Dennis Quaid está a postos para proporcionar o elemento humano confiável na figura de Jack Hall, um meteorologista cujas pesquisas sobre o aquecimento global o levam a crer que uma mudança catastrófica no clima mundial pode acontecer muito antes do que vinha sendo previsto.

Seus avisos são ignorados pelo governo norte-americano, personificado pelo vice-presidente Becker (Kenneth Welsh), homem que guarda uma semelhança inconfundível com um certo Dick Cheney.

Beleza de pesadelo

Mas uma série de acontecimentos climáticos incomuns – neve caindo em Nova Délhi, ventos com força de furacão fustigando o Havaí, uma chuva de granizo com pedras do tamanho de carros caindo sobre Tóquio – sugerem que a previsão de desastre feita por Hall pode estar a poucos dias de se realizar.

Pouco depois, vários tornados atingem Los Angeles, derrubando as letras da placa de “Hollywood” e destruindo o famoso edifício da Capitol Records.

Enquanto isso, na outra costa dos EUA, a maior enchente de todos os tempos inunda Manhattan, seguida logo depois por uma queda vertiginosa de temperatura.

Entre as pessoas que buscam abrigo na Biblioteca Pública de Manhattan está o filho de Jack Hall, Sam (Jake Gyllenhaal), que está na cidade para participar de um concurso acadêmico.

Enquanto metade da população norte-americana corre para refugiar-se no México, Jack Hall se dirige no rumo oposto, prometendo a seu filho que virá buscá-lo antes de ser pego pela chegada da nova Idade do Gelo.

Embora não possua o aspecto de bravata tipo “nós contra eles” de Independence Day, também de Emmerich, o filme representa um avanço considerável em relação à última vez em que o diretor devastou Nova York – em 1998, com seu barulhento remake de Godzilla.

Os ativistas ambientais certamente vão aplaudir a mensagem de O Dia Depois de Amanhã.

O maior ponto a favor do filme pode ser atribuído à supervisora de efeitos visuais, Karen Goulekas, e ao designer de produção, Barry Chusid. Muitas das sequências, inclusive uma que mostra Nova York congelada, possuem uma beleza de pesadelo.

Ficha técnica

Título original: The Day After Tomorrow 
Gênero: Ficção
Duração: 124 min.
Classificação: livre
Diretor: Roland Emmerich
Elenco: Dennis Quaid, Jake Gyllenhaal, Emmy Rossum