Estado é uma das 15 economias mais competitivas do mundo
O Estado de São Paulo está em 13º lugar entre as economias mais competitivas do mundo no ranking anual elaborado pelo IMD (International Management Development Institute), da Suíça. Fica à frente de países como Itália e Coréia e todas as economias listadas por regiões como a grande Paris (Ile de France), Catalunha (Espanha) e Lombardia (Itália). Este ano, pela primeira vez o IMD incorporou à lista, elaborada desde 1989, oito economias regionais junto com 51 países. O Brasil caiu seis posições, passou para a 21ª, após, em 2002, ter sido classificado na 15ª.
Desta vez, a classificação também levou em conta dois universos, dividindo a lista em duas categorias separadas pela população. No ranking com as economias com mais de 20 milhões de habitantes, os EUA continuam na 1ª posição. Entre os países desenvolvidos que caíram na lista estão a Alemanha (desceu da quarta para a quinta posição), Reino Unido (baixou duas), Espanha (passou de 8ª para a 9ª posição). O Japão se manteve na 11ª e a Itália caiu três posições (passou para a 17ª).
Já na listagem das economias com menos de 20 milhões de habitantes quem lidera é a Finlândia, que no ano passado estava em segundo lugar. Cingapura vem em segundo (era a 6ª em competitividade em 2002), Dinamarca em terceiro (era quarta), depois está Hong Kong (ficava em décimo) e em quinto está a Suíça, que caiu duas posições.
O estudo do IMD avalia a capacidade de um país oferecer ambiente para empresas serem competitivas internacionalmente, a partir de 320 indicadores baseados no desempenho econômico, oferta de infraestrutura, eficiência no governo e nos negócios. Os dados são levantados junto a instituições de pesquisa e executivos e no Brasil quem está à frente dos trabalhos é a Fundação Dom Cabral, em estudo coordenado pelo professor Carlos Arruda.
Ele diz que a classificação de São Paulo não é perfeita, pois os dados são proporcionais em relação à média brasileira, uma vez que não existem todas as informações necessárias à avaliação por região. “Se tivéssemos dados específicos, o Estado poderia até subir no ranking.”
Ele explica que entre os itens que pesaram para o Brasil cair seis posições na classificação geral estão inflação, taxa de juros, carga tributária sobre atividade econômica, baixa eficiência da administração pública. Puxou para baixo o fato do país apresentar pouca presença nas transações comerciais internacionais, com menos de 1% do total, enquanto os EUA respondem por 18%. Além disso chama atenção para o indicador referente à educação, um dos itens que o Brasil recebeu as mais baixas pontuações.
“O que faz diferença nesta sociedade do século 21 é a capacidade de um país de se reinventar.” Arruda diz que vem sendo transferida tecnologia para o país e as empresas mostram capacidade de usarem na criação de novos produtos. Além disso contam com boa capacidade de gestão, mas com destaque no Sudeste do país. China, Coréia, Cingapura e Finlândia, que estão ganhando posições no ranking (embora a Coréia tenha caído este ano) investiram no que falta ao Brasil, a educação voltada à geração de conhecimento, infraestrutura científica tecnológica.
Na avaliação da economia mundial, o IMD considera que não há recessão, mas sim um ambiente ainda mais nocivo de anemia pois ninguém acredita que o mundo não esteja em recessão. A moeda do líder em competitividade, os EUA, pode desvalorizar-se diante do déficit em conta corrente de 4,8% do PIB, expectativa de déficit orçamentário de US$ 300 bilhões e a proposta de corte de impostos. A Europa apresenta perspectivas de competitividade divergentes, devido à diversidade dos 15 países da União Européia, com expectativa de crescimento do bloco de 1% em 2003.
O IMD avalia que a Ásia começou a apresentar índices de crescimento mas a pneumonia pode prejudicar o continente. Já a América Latina não está num bom período para a competitividade. Argentina e Venezuela, que poderiam figurar entre as economias mais saudáveis do continente, estão em crise. No Brasil, observa que o medo com o novo governo passou, mas o desafio é como o país vai enfrentar o déficit público.
Heloisa Magalhães







