ACE-Guarulhos

Esqueceram o saco de lixo

Em tempos onde o debate em torno de alternativas ecologicamente corretas em relação às sacolas plásticas que são fornecidas no comércio em grande quantidade, estamos esquecendo um grande ator ou o principal ator deste problema ambiental: o saco de lixo. Isso mesmo!  Aquele saco que, geralmente é de cor preta, que é utilizado pela dona de casa e pelas empresas para armazenar os resíduos que, via de regra deveriam ser, na sua grande totalidade, de origem orgânica e que acabam ficando armazenados na frente das residências e das sedes das empresas.

Nós, cidadãos, temos que compreender que quando colocamos estes sacos de lixo na porta de nossas residências, comércios ou empresas, estamos na verdade, resolvendo um problema individual, pois, este material não some da nossa porta, ele é encaminhado diretamente para o meio ambiente gerando um grande passivo ambiental com um crescimento exponencial, que através dos tempos o homem tenta administrá-lo de diversas formas.

Em um passado não muito distante em nosso país, parte deste material era encaminhado para as incineradoras, prática que até hoje é utilizada, mas grande parte do material era encaminhado para os lixões, um terreno a céu aberto, sem nenhum cuidado, deixando este material em contato direto com o meio ambiente e, assim, acaba criando um ambiente de contaminação direta do solo, lençóis freáticos e da atmosfera, por conta dos gases nocivos que são emitidos da combustão destes materiais, sem contar com a proliferação de insetos, roedores e todo tipo de bichos que potencializam as doenças e moléstias que atacam a nossa saúde.

Hoje, estes lixões estão sendo substituídos por aterros sanitários, terrenos enormes que sofrem um processo de escavação e impermeabilização do solo para acondicionar o lixo, que é compactado e coberto com terra o que impede a contaminação dos lençóis freáticos pelo chorume e ainda proporciona um controle das emissões de gases, permitindo até a sua utilização como fonte energética. Não podemos esquecer, também, das usinas de compostagem, que mesmo em menor escala, são utilizadas para a coleta de lixo.

Estudando este cenário, acredito na necessidade de disponibilizar uma atenção e um cuidado especial na composição dos materiais que são utilizados para a fabricação dos sacos de lixo, pois estes materiais, diferentemente dos utilizados em sacolinhas plásticas, que são geralmente usadas como “sacos de lixo” pelas donas de casa, são essencialmente fabricados para a finalidade de armazenamento de resíduo orgânico que tem como destino final o meio ambiente, independente da modalidade de tratamento do resíduo.

Portanto, acredito que a Lei Municipal 6.481/2009m que dispõe sobre a obrigatoriedade do uso de embalagens biodegradáveis ou reutilizáveis em Guarulhos, merece um debate mais profundo, por sua relevante contribuição para a preservação do meio ambiente. Assim, acreditamos que poderemos construir um texto que efetivamente contemple a regulamentação das certificações dos sacos e sacolas plásticas degradáveis, bem como a ferramenta de educação ambiental que possa orientar a população a participar  efetivamente da preservação do ambiente por meio da coleta seletiva de lixo, uma realidade que já acontece em diversos bairros de Guarulhos.

William Cotrim Paneque é Diretor de meio ambiente da ACE e diretor-fundador do Instituto Recicla Cidadão

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