Empresas preferem usar cheques a transferência eletrônica
Indústria e comércio ainda não começaram a usar pra valer o novo Sistema de Pagamentos Brasileiro, SPB. O motivo é que o repasse das sobretaxas sobre a compensação de cheques e DOCs, acima de R$ 5 mil ainda não chegou até os clientes das instituições financeiras.
Economia – A opção indica uma economia de custos, principalmente porque as tarifas cobradas pelos bancos chegam a até R$ 12, para realizar uma Transferência Eletrônica Disponível, a TED, na qual o dinheiro sai da conta on-line e em tempo real.
“Os cheques custando o mesmo que antes têm levado muitos comerciantes a ainda preferirem esse sistema na hora de pagar o seu fornecedor”, diz Rogério Darccin, gerente da Área Financeira da Camil Alimentos.
Sem cobrança – A empresa foi notificada por três dos dez bancos com que trabalha de que não haverá cobrança extra sobre a compensação de cheques, acima de R$ 5 mil, até novembro.
A empresa já utilizava a TED, antes mesmo de o mínimo ter caído de R$ 50 mil para R$ 5 mil na última semana. O problema é que a Camil tem pago seus fornecedores dentro do novo sistema e recebido pelo antigo.
Pequenos – Nem contamos com o pagamento de nossos clientes de pequeno porte, que representam 50% da clientela da Camil, para fechar o caixa, porque eles ainda não estão tecnologicamente preparados para atuar de acordo com o novo SPB”, diz Darccin.
Além das quantias pagas diariamente para os fornecedores, a Camil ainda faz cerca de oito TEDs para transferir dinheiro de um banco para outro em que a empresa mantém conta-corrente.
Custo – Darccin reclama do alto custo das transações, que variam de R$ 8 a R$ 12. ” Procuramos executar as transferências pela Internet, onde o custo é menor, mas nem sempre isso é possível.” pela Web uma TED custa entre R$ 3 e R$ 5, dependendo do banco. Na opinião do executivo, enquanto o custo não cair o SPB não terá muito sucesso.
A Baco's Alimentos, importadora de vinhos, tem feito em média quatro TEDs por dia, desde que o piso caiu para R$ 5 mil na semana passada. A empresa também registrou um aumento de despesas para atuar no novo sistema.
Redução – Assim como a Camil, a gerência financeira da Baco's aguarda uma redução das taxas cobradas pelos bancos para realizar a transferência eletrônica, o que deve acontecer com a adesão de mais pessoas ao SPB.
Automação – Na rede Drogão, com 43 unidades em São Paulo, a mudança do sistema antigo para o novo foi muito pouco perceptível.
A empresa já vinha investindo na automação do fluxo de caixa e por isso não teve dificuldades para administrar as finanças, a partir da mudança do piso do SPB. É que, na semana passada, a Drogão passou a: utilizar na prática um sistema que vinha testando há um ano e meio.
Alternância – Mesmo estando apta para atuar no novo sistema de pagamentos, a rede de drogarias continua alternando entre a TED e a emissão de cheques, quando tem que executar pagamentos acima R$ 5 mil.
“Só quando o custo com o cheque ficar maior é que o novo sistema deverá começar de fato”, diz Nelson de Paula, gerente de Marketing da rede. A expectativa do Drogão é de que a sobretaxa comece a ser cobrada a partir de outubro.
Adriana Gavaça







