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Empresas perderam R$ 30 bilhões

As empresas brasileiras que apostaram no dólar baixo e nos derivativos cambiais devem acumular prejuízos de pelo menos R$ 30 bilhões. O cálculo é do presidente do Conselho de Planejamento Estratégico da Federação do Comércio de São Paulo (Fecomercio-SP), Paulo Rabello de Castro. Até o momento, três companhias admitiram perdas com a variação cambial. A Sadia anunciou prejuízos de R$ 760 milhões, a Aracruz, de R$ 1,95 bilhão, e a Votorantim declarou perdas de R$ 2,2 bilhões. “São mais ou menos 200 empresas afetadas, e um valor cerca de 10 vezes maior do que foi anunciado até agora”, disse Castro. O assessor especial da Presidência da República para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia, já havia admitido, na terça-feira, que entre 220 e 250 companhias correm o risco de apresentar prejuízos com derivativos cambiais.

Mercado de balcão – De acordo com o presidente do Conselho, e também presidente da RC Consultoria, dois problemas graves aconteceram durante as operações baseadas no câmbio baixo. O maior é que grande parte das operações foi realizada em “mercado de balcão”– sem passar pela Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) e negociada diretamente junto aos bancos. Também faltou, na maioria dos casos, a aprovação das operações cambiais pelos conselhos de administração das empresas. Para Castro, a indecisão do Banco Central (BC) em agir para estancar a alta do dólar ajudou a amplificar o impacto negativo nas companhias.

Os prejuízos das empresas na variação cambial foram debatidos, ontem, na reunião ordinária do Conselho de Planejamento Estratégico da Fecomercio-SP. O chefe do departamento econômico da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), Carlos Thadeu de Freitas, disse que a admissão das perdas com os derivativos cambiais vai influenciar negativamente a disponibilidade de crédito. “Quem estava comprado (em derivativos, apostando em um dólar baixo) vai ter que se financiar a um preço alto, já que o mercado de crédito está contraído por causa da crise financeira.”

Com a indicação de que muitas empresas, especialmente as exportadoras, terão que fazer uso de financiamentos para zerar prejuízos oriundos das operações com derivativos, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) poderá deixar o controle da inflação em segundo plano e interromper a alta da Selic durante a próxima reunião, no dia 28 deste mês. “Se os juros continuarem subindo, essas perdas serão ainda maiores, porque a alta deixará o custo do financiamento dos prejuízos mais caro. O ideal é reduzir ou manter os juros” observou o representante da CNC. Mas ele reconheceu que o Copom terá dúvidas sobre qual decisão tomar, pelo risco de o dólar disparar. A moeda americana, para Freitas, deve manter-se próxima de R$ 2.

O consenso entre os economistas que participaram das discussões é de que o Brasil pode tirar proveito da crise mundial se implantar política neutra de juros e aplicar política fiscal contencionista.

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