Os bancos já admitem que o cenário econômico incerto deve aumentar a seletividade na concessão do crédito às empresas. Especialistas lembram que o segmento de micro, pequenas e médias empresas será um dos principais afetados neste momento de retração. Num contexto adverso, a primeira recomendação é que o empreendedor “aperte o cinto”, evitando tomar novos empréstimos. Em um segundo momento, o empresário que precisa tomar novos recursos, seja para cobrir dificuldades de caixa ou apostar na ampliação do negócio, terá que aperfeiçoar sua estratégia para ir aos bancos.
O presidente da Associação Brasileira de Bancos (ABBC), Jorge Eduardo Prada Levy, considera natural o movimento de retração do crédito nesse estado de incertezas. O problema, diz ele, é que o mercado vive o pior dos cenários possíveis: não saber o que esperar de 2003, pois não existe um quadro claro de quem ganhará a eleição.
Os consultores do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo (Sebrae) aconselham o empresário de pequeno porte a avaliar com cuidado as vantagens de tomar um empréstimo.
Antes, ele deve fazer um levantamento para descobrir onde obter dinheiro na própria empresa. Isso pode ser feito tentando repassar os produtos parados em estoque, negociando o recebimento de dívidas em atraso ou o pagamento a fornecedores. E, claro, detectar as perdas que podem afetar o desempenho do negócio.
Na hora de pedir empréstimo para um novo empreendimento, o empreendedor deve apresentar um plano de negócios bem elaborado. Levy aponta que um plano deve ter, fundamentalmente, metas realistas para a oportunidade de mercado e previsão de receitas e custos futuros. E não custa lembrar: em um cenário econômico mais pessimista, os bancos estarão menos otimistas na hora de avaliar os números projetados pelo empresário.
O superintendente nacional de empréstimos da Caixa Econômica Federal, Jorge Pedro de Lima Filho, aconselha que o empresário peça empréstimos de prazo mais curto e pulverize suas garantias, preferindo mostrar cheques pré-datados e duplicatas, o que pode ser uma saída para quem necessita de dinheiro para aliviar o caixa. Se for pedir dinheiro para investimentos, deve conhecer muito bem sua empresa e o potencial de seu mercado.
Negócios que envolvam dois dos principais fatores de risco do momento “dólar e juros” devem ter mais dificuldade para obter capital. Exemplo: seria mais difícil para uma padaria, que consome trigo “cujo preço é indexado ao dólar” obter dinheiro que para um salão de beleza, que já não possui essa característica.
Epaminondas Neto