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Em dez anos triplica número de devedores

Marcos Fernandes/LUZ  Marcel Solimeo, economista da ACSP: economia não deve crescer mais do que 3,7% neste ano.

A inadimplência quase triplicou no últimos dez anos. No acumulado de 2006, de cada 100 consultas, 24 mostram que o consumidor está inscrito no Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC). E a principal causa da inadimplência é o desemprego, segundo pesquisa divulgada ontem pelo Instituto de Economia Gastão Vidigal, da Associação Comercial de São Paulo (ACSP).
“Isso mostra que o risco aumentou para cerca de 25% para quem não consulta nosso cadastro”, disse o economista Marcel Solimeo, diretor do Instituto. A pesquisa aponta que entre 1997 e 2007 saltou de 37% para 51% o número de pessoas que estão inadimplentes por terem ficado desempregadas. No caminho contrário, caiu de 22% para 10% os que responsabilizam o “descontrole de gastos”; e de 16% para 5% os que culpam a “queda na renda”.

A pesquisa revela que a inadimplência caiu nesse período de 72% para 64% entre o sexo masculino e subiu de 28% para 36% no feminino. Solimeo explicou essa tendência pelo fato de as mulheres estarem ocupando mais espaço no mercado de trabalho. No quesito idade, a inadimplência recuou de 42% para 24% na faixa de 21 a 30 anos e avançou um pouco de 31 anos a 40 anos, sempre nos últimos 10 anos (passou de 32% para 34%), cresceu mais entre os 41 e 50 anos (de 17% para 26%) e aumentou de 1% para 3% acima dos 60 anos.

Embora a pesquisa mostre que a inadimplência entre cheque e carnê ficou empatada neste ano (respectivamente 37% e 38%), há dez anos era bem maior no cheque (45%) e quase igual no carnê (37%). No cartão de crédito mais que dobrou, de 12% para 25%. Outro dado interessante é a confirmação de que no caso de atraso de pagamento negativado, o número de cheques emitidos para pagamentos à vista caiu de 12% para 8% nos últimos dez anos, enquanto os pré-datados passaram de 88% para 92%.

A pesquisa revelou que, nos últimos dez anos, a inadimplência se manteve mais ou menos estável em cinco das sete faixas de renda pesquisadas, tendo caído mais, em termos percentuais, na faixa mais elevada (acima de R$ 2 mil) de 11% para 4% e na mais baixa (de R$ 100 a R$ 200) de 4% para 2%. E cresceu de 57% para 96% o número de pessoas que pretendem quitar seus débitos nos próximos 30 dias; ao contrário, despencou de 25% para 4% o das que não pretendem acertar suas contas nesse período.

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