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Em 6 meses, mais 900 escritórios contábeis

Guarulhos, 02 de março de 2005

O setor de contabilidade está em alta. No período de setembro de 2004 a fevereiro deste ano, mais de 900 novos escritórios foram abertos, totalizando 67.913 negócios de contabilidade em todo o Brasil, sendo 17.073 só em São Paulo.
O motivo talvez venha da receita total atingida em 2004, R$ 4 bilhões, quase o dobro do ano anterior. E mesmo diante das objeções em torno da aprovação da Medida Provisória 232, que pode elevar o valor da contribuição paga por prestadoras de serviços a até 40%, algumas empresas de contabilidade esperam incrementar o seu faturamento em até 25% este ano, em comparação ao ano anterior. Segundo especialistas, parte desse aumento projetado virá daqueles serviços onde os escritórios poderão conseguir repassar os custos operacionais aos clientes ” mas muitos dizem que o repasse é difícil.

A Águia Contabilidade, por exemplo, que obteve um incremento de 10% na receita em 2004, projeta um aumento de 20% a 25% este ano. O contabilista Gildo Freire de Araújo, explica que os resultados podem vir em decorrência do acréscimo no número de clientes. “Muitos dos clientes que atendo hoje são empresas que vieram para a região do ABC Paulista, onde o meu escritório está instalado. Como temos um trabalho diferenciado e estamos há 18 anos no mercado, temos um bom relacionamento com os empresários da região, o que resulta em novas indicações”, conta.

De acordo com o empresário Reinaldo Franco, da Franco Contabilidade, deverá elevar a demanda por seus serviços em 20% já no primeiro trimestre do ano.
O contabilista estima que os contratos fechados nesse período possa vir a representar 70% da demanda do ano todo. “Estamos tendo uma procura aquecida de muitas empresas de diversos segmentos. Mesmo as companhias de grande porte, que muitas vezes tem um departamento de contabilidade interno, sempre procuram por um especialista para otimizar a prestação de contas para o Fisco”, garante.

O grupo King Contabilidade, por sua vez, também prevê um aumento nas prestações de serviços. Márcio Massao Shimomoto, diretor administrativo da empresa, diz que o grupo King poderá ter 10% mais solicitações de assessoria e consultoria contábil em comparação a 2004.
Segundo Shimomoto, hoje, o escritório tem 500 clientes e espera ter incremento no faturamento de 20%. “Os clientes que saíram em outros momentos de nosso escritório voltaram a solicitar nossos trabalhos”, conta.

Ele acredita que a MP 232 irá trazer mais obrigações acessórias para as empresas do comércio, indústria e varejo. “Aos nossos escritórios caberá acompanhar e controlar com mais atenção todas as necessidades dos clientes. Haverá mais serviços para a categoria contábil, mas nem sempre é possível repassar custos”, analisa.

Para Antonio Marangon, presidente do Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis e das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas no Estado de São Paulo (Sescon-SP), a MP 232 poderá aumentar a burocracia. E o crescimento esboçado por algumas empresas neste ano será um sinal de recuperação, e não de fato um crescimento. “A MP 232 pode até gerar uma demanda para as empresas que atuam no segmento, mas os custos, muitas vezes, não serão repassados totalmente aos clientes”, afirma.

Segundo o diretor executivo da Confirp ” Informações Contábeis para Gestão Empresarial , Richard Domingo, o aumento da burocracia do governo será um meio de avaliar melhor as obrigações tributárias das empresas. De acordo com ele, só para os clientes de maior porte será possível repassar os custos operacionais. “Hoje, a Confirp tem uma carteira de clientes pulverizada.

Paulo Florêncio