Com as aplicações em renda fixa rendendo menos e as notícias relatando recordes sucessivos de alta em nossa bolsa de valores, a parcela dos que passaram a se interessar por investir em ações vem aumentado consideravelmente. Mas, de forma distinta do que ocorre na renda fixa, em que a possibilidade de perda é quase nula, ações têm risco, já que não há qualquer garantia de que os preços das ações vão sempre subir.
Nesse sentido, o início do mês de novembro foi bastante educativo: após ter fechado a 65.317 pontos em outubro, o índice da bolsa paulista, o Ibovespa, chegou a apresentar queda de 5,8%, ao fechar em 61.526 pontos em 12/11/2007. Alguns investidores mais experientes, acostumados ao sobe-e-desce das cotações, aproveitaram o momento para comprar mais… Aparentemente acertaram, já que em apenas dois dias (14/11/2007, enquanto escrevo a coluna), a bolsa conseguiu recuperar suas perdas, fechando a 64.631 pontos.
Se esse foi o seu caso, parabéns. Mas se não foi e você ainda não participa desse mercado, talvez seja uma boa oportunidade para avaliar o seu potencial em lidar com tais flutuações. No artigo de hoje (e no próximo) comento alguns pontos a considerar antes de você se tornar acionista.
O que comprar: Selecionar uma boa ação requer muita análise. A situação macroeconômica (aqui e lá fora), o setor em que a empresa atua, as projeções de seus resultados, o seu potencial de crescimento. Não é tarefa para leigos, ainda que, atualmente, com a maioria das ações em alta, possa parecer que a escolha não tenha importância. Sugiro que você procure sempre se informar, através de cursos, leitura especializada, palestras etc. E, se ainda assim, não tiver segurança, peça assessoria à sua corretora. Alternativamente, pense em iniciar por meio de um clube de investimentos ou de um fundo de ações. Evite adquirir ações seguindo “dicas”… Sabe-se lá se quem está recomendando não quer justamente vender suas ações para você?
Risco: Analise friamente se você é capaz de suportar perdas, ainda que temporárias, como as que citei acima, evitando, assim, ser o tolo que compra na alta e vende na baixa. Se esse mercado é novo para você, inicie pequeno e vá aumentando o investimento gradativamente. Mas não ultrapasse limites: aplicar 30% ou 40% do seu patrimônio em bolsa já é bastante arrojado. Diversificar é ferramenta chave para diluir riscos.
Prazo: Como muitos dizem, ação é investimento a longo prazo, ainda que seja difícil definir o que é o longo prazo: partindo de dezembro de 1994, por exemplo, quem pensou em dois anos como longo prazo, teria feito melhor se aplicasse na poupança (63,32% acumulados) do que na bolsa paulista (61,69%). Já quem pensou em 12 anos, conseguiu 921,45% na bolsa contra os 353,41% da poupança.
Compromissos: Como é difícil determinar em quais meses a bolsa subirá, não conte com ela para garantir suas despesas: não aplique recursos de que você precisará em uma data futura, pois é possível que nessa ocasião você tenha menos do que aplicou, não conseguindo assim liquidar seus compromissos.