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Dia da Criança , uma amostra (boa) do Natal

Guarulhos, 13 de outubro de 2004

O movimento do Dia da Criança animou os lojistas da capital, que vêem as vendas dessa data como uma prévia do que será o Natal. Se essa expectativa se confirmar, ambas as datas terão uma elevação de pelo menos 10% sobre o ano passado. No final de semana, o fluxo de pessoas nos estabelecimentos comerciais alcançou e até superou a expectativa dos comerciantes, especialmente no segmento de brinquedos e vestuário infantil. Ainda na terça-feira, 12, os shopping centers da cidade estavam cheios de gente fazendo compras de última hora.

A gerente de Marketing do Shopping Ibirapuera, Carla Sabato, disse que o crescimento de vendas esperado é de 8% a 10% em relação ao Dia da Criança do ano passado – seguindo o movimento de público no shopping nos 10 primeiros dias de outubro “Isso é ótimo, pois o Dia das Crianças é o termômetro para o Natal”, comemora Carla Sabato.

O mesmo movimento foi registrado no Shopping Metrô Tatuapé. “Desde sexta-feira, abrimos o estacionamento descoberto, o que só ocorre em dias de muito movimento”, explica Claudio Voso, gerente de marketing do shopping. Assim, ele acredita que será fácil alcançar o crescimento projetado de 12% a 15% em confecções e calçados e de 20% na venda de brinquedos. “Os pais gastaram em média R$ 60 por presente”, afirma Voso.

Já no Shopping Tamboré, até o dia 11 de outubro, as vendas registraram aumento de 7% em relação ao mesmo período do ano anterior. Entre os dias 9 e 11, por exemplo, cerca de 120 mil pessoas passaram pelo centro de compras e mais de 40 mil veículos, o que corresponde a 10% mais no fluxo de pessoas.

Preferência – Na loja Brinquedos Laura, os campeões de venda foram os bonecos de pelúcia, tatuagens que saem com água e sabão, as tradicionais bonecas para meninas e carrinhos e super-heróis para os meninos.

“As vendas estão bem divididas, não percebemos nenhum produto com saídas excepcionais, apesar dos vários lançamentos. Estamos animados, e o faturamento deve crescer 10% em relação ao ano passado”, diz Alexandre Augusto Cordeiro, gerente da loja no shopping Ibirapuera.

O mesmo otimismo está presente nos comerciantes de lojas de rua. Há até aqueles que garantem que o movimento aumentou em pelo menos 30%. Quanto aos preços, são dos mais variados: há produtos de R$ 1 a R$ 1 mil. Mas a média de gasto ficou entre R$ 30 e R$ 40, o que explica a razão da maioria das compras ser paga a vista e em dinheiro.

Ainda melhor – Se está bom, poderia ser ainda melhor. Essa é a opinião do economista do Instituto de Economia Gastão Vidigal, da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Emilio Alfieri. Ele acredita que as vendas do período foram prejudicadas pelas eleições, pela greve dos bancários e pelo feriado prolongado.

“Não há como negar que esses três episódios tiveram efeito negativo sobre as vendas do Dia das Crianças. No domingo anterior, por conta das eleições, a maioria das lojas fechou. A greve também atrapalhou pois muita gente não conseguiu sacar o pagamento e o feriado prolongado tirou a população da cidade, reduzindo o movimento das lojas”.

Prova disso é que nos sete primeiros dias do mês, a média de vendas ficou em 3%: as consultas ao Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC), tiveram alta de 7,1% sobre igual período de 2003. Já as ao Usecheque, que mede as vendas a vista, tiveram queda de 1,1%.

“Do ponto de vista conjuntural, as vendas a prazo estão na média do ano. Mas no balanço total, os 3% de alta são pouco expressivos, pois a ACSP projetava crescimento entre 4% e 5%”, salienta Alfieri. No ano passado, diz ele, outubro foi o primeiro mês em que o SCPC reagiu de forma mais expressiva, com alta de 9,8% sobre 2002. Portanto, já era esperado um resultado mais modesto neste ano. “Mesmo com essa expectativa, as vendas foram prejudicadas pelo calendário”.

Patrícia Büll