Desejos físicos e virtuais dos neoconsumidores
Internet, celular e TV interativa, embora ainda engatinhem no Brasil como canais de venda, têm participação crescente no mundo. Pesquisa da consultoria de varejo GS&MD – Gouvêa de Souza feita em 11 países com neoconsumidores, aqueles que além das lojas físicas utilizam esses canais alternativos para compras, apontou que 88% fazem ou fizeram aquisições pela internet no último ano. No Brasil, o número é ainda mais expressivo: 92%. O estudo mostrou também que 52% dos internautas usam sites especializados para comparar preços, percentual que sobe para 73% entre os brasileiros.
“Esses novos canais vão impactar no relacionamento entre varejistas e forncedores”, afirmou Luiz Goes, diretor da área de inteligência da consultoria. Segundo ele, a comparação vai fazer com que o consumidor balize sua decisão pelo preço, o que vai exigir do varejista menor margem de lucro para não perder participação.
“E, quanto mais diminuir o preço, mais irá pressionar o fabricante para que também ofereça os mesmos produtos com preços mais competitivo, mudando a relação que ambos têm atualmente”, disse Góes.
Outra constatação é que se engana quem acha que tem consumidor cativo, mesmo sem realizar venda online. De acordo com a pesquisa, 34% dos entrevistados ficam desapontados se a loja de sua preferência não vende pela internet. Os brasileiros são os mais exigentes entre os 11 países nesse quesito: 53%. Os internautas também são categóricos quando afirmam que as lojas precisam ao menos ter um website, mesmo que não comercialize seus produtos por esse canal. Para 40% dos entrevistados globais e para 57% dos brasileiros, as lojas sem página na internet não existirão no futuro.
Entre as categorias pesquisadas (alimentos, beleza, eletroeletrônico e vestuário), a de eletroeletrônicos é a que tem a maior participação de compradores digitais, com 18%, enquanto em beleza, apenas 12% compram pela web.
A necessidade de tocar e experimentar o produto são as principais razões apontadas por aqueles que não compram pela internet. “Portanto, um dos desafios para os varejistas e os fabricantes é justamente encontrar maneiras do internauta vivenciar essa experiência usando a tecnologia”, afirmou Góes. Claro que não é fácil, mas quem conseguir a façanha de fazer o consumidor ter a sensação do “quase tocar” o produto, vai conquistar uma parcela importante de neoconsumidores.
Universo – A pesquisa online foi realizada com 5,5 mil pessoas da Alemanha, Austrália, Brasil, Canadá, Dinamarca, Espanha, Estados Unidos, França, Portugal, Reino Unido e Romênia. No Brasil, houve uma pesquisa adicional com 500 entrevistados, pessoalmente, em São Paulo, Recife e Porto Alegre.