Desastres ecológicos: Porto de Iguapes
Uma das primeiras obras para navegação no Brasil foi um canal junto a foz do rio Ribeira de Iguape e teve conseqüências desastrosas.
A região da cidade de Iguape fica no litoral sul do Estado de São Paulo, apresentava considerável desenvolvimento em função da produção agrícola, como arroz, por inundação e de mineração de metais preciosos, como o ouro. Todo o comercio era efetuado através do Porto de Iguape no Mar Pequeno, e o transporte de cargas se dava através do rio Ribeira de Iguape.
Existia, entretanto, um transporte terrestre de 2km que separava o rio do Porto, pois o rio passava junto à costa mas desembocava no mar a acerca de 20km ao norte.
A solução escolhida para evitar os transbordos e este transporte terrestre, foi a abertura de um canal artificial de interligação porto-rio com duas braças de largura (4,40m) e pouco mais que 1m de profundidade, uma vala e daí o nome de “Valo”.
O inicio da obra se deu em 1837 e entrou em funcionamento em 1855, sendo considerada da primeira grande obra hidráulica do Estado de São Paulo.
Entretanto, o desnível existente entre as cotas dos níveis de água do rio e do mar deram origem a um escoamento com alta velocidade, que começou a erodir o “valor” inicial, e esta erosão continuou até a década passada, alargando-o para 300m e atingindo 10m de profundidade, o que deu origem ao atual Valo Grande.
Como conseqüência, perdeu-se o porto por assoreamento e terras agriculturáveis pelo sistema de inundação, pelo rebaixamento do nível da água do rio e do lençol freático.
A lição que se aprende é que se deve ter muito cuidado com as obras hidráulicas.
Engenheiro civil Plínio Tomaz
Diretor de Recursos Hídricos e Meio Ambiente da ACE





