Empresários e entidades parceiras na implantação do arranjo produtivo local para o setor têxtil e de confecção em Guarulhos, apresentaram no dia 16/06 os resultados de pesquisa realizada em janeiro com o setor.
“A pesquisa demonstra a necessidade de trazer o foco empresarial para este setor, que tem grande importância para a economia regional e um grande potencial de produção e crescimento”, afirmou o chefe do Departamento de Pesquisa e Informações da Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Guarulhos, Marcus Paro.
Durante a pesquisa, um grupo de 55 empresários do setor respondeu a questões focadas na gestão de negócios (marketing, vendas, finanças, recursos humanos), na qualidade dos produtos e processos, na produtividade e lucratividade e no fortalecimento das marcas.
O objetivo da pesquisa, segundo Alessandro Paes dos Reis, gerente do escritório regional do Sebrae-SP em Guarulhos, foi desenvolver um plano de ação para o pólo de confecção, com base na priorização das necessidades identificadas.
“O plano de ação será elaborado pelos próprios empresários, pelo poder público e entidades envolvidas e deverá nortear projetos voltados para o desenvolvimento social e econômico local”, diz.
Entre os principais resultados revelados pela pesquisa estão, por exemplo, dificuldades relacionadas à ociosidade, que chega a quase 25% por ano, o que representa uma perda de R$ 20 milhões de faturamento anual. Outras questões estão relacionadas à produtividade e à qualidade dos produtos.
“O setor apresenta grande potencial de crescimento já que está ao lado do maior pólo brasileiro, o da Grande São Paulo, mas ainda tem baixa participação no mercado estadual, de menos de 1% do que o Estado poderia absorver”, afirmou o consultor do Sebrae-SP Nilton de Castro Barbosa.
Durante a pesquisa, os empresários apontaram alguns pontos estratégicos a melhorar, como reduzir a ociosidade; atender mais e melhor os atuais clientes; buscar novos clientes (mercado interno e externo); desenvolver novos produtos (design, moda); na gestão: implantação de sistemas de custos, fluxo de caixa e formação de preço e vendas; na qualidade: redução de custos de processos, desperdícios, aumento de produtividade.
As entidades parceiras na implantação do arranjo produtivo deverão agora responder a esses desafios e dificuldades por meio de oficinas de trabalho, nas quais será traçado um planejamento das ações e estabelecimento de metas a serem atingidas pelo grupo no futuro.
“Temos uma experiência bem-sucedida de implantação de redes de cooperação entre grupos do mesmo setor em Guarulhos, com resultados bastante promissores em termos de redução de custos em compras e publicidade e até mesmo ações que levaram a mudanças de legislação no município”, lembrou o gerente do Sebrae-SP em Guarulhos.
No município, o Sebrae-SP desenvolve o Projeto Empreender, por meio do qual empresários de um mesmo setor discutem problemas e soluções conjuntas, trabalhando com seis grupos: farmácias, contabilistas, empresas de recursos humanos, escolas particulares e entidades do terceiro setor.
Para o empresário Cayo Pardos, da Lahurys Comércio e Confecções, que fabrica uniformes escolares, a pesquisa foi uma oportunidade de o setor se conhecer melhor a fim de direcionar o trabalho para o arranjo produtivo. Sua é conseguir melhores condições na negociação de compras e a realização de campanhas publicitárias em conjunto. “Juntos ficamos mais fortes”, lembra Pardos.
Uma das metas do empresário é por exemplo viabilizar a compra de matérias-primas como aviamentos e tecidos no próprio município. “Difícil de acreditar, mas com os custos atuais, fica mais viável comprar em outros locais do Estado”, conta Pardos. “Com o trabalho em grupo, acho que poderemos inverter esse processo.”
Cadeia produtiva
Com 150 indústrias do ramo têxtil e 300 empresas de confecção, 1,2 mil prestadores de serviço envolvidos e 500 estabelecimentos comerciais especializados no setor, Guarulhos é o segundo município do Estado de São Paulo em número de empresas do segmento, depois de Americana.
Segundo estudo realizado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a cadeia produtiva têxtil e de confecção em Guarulhos é completa, com empresas que trabalham desde a produção de fios, matéria-prima, fibras, insumos químicos, máquinas e equipamentos, tecelagens, acabamento, estamparia, transporte, vestuário e comércio.
A cidade conta, ainda, com empresas que atuam nas atividades de fiação, corte, costura, uniformes, moda feminina, butiques, malharias, roupas íntimas, pijamas, bordados, moda masculina, esportiva e acessórios. Tais fatores levaram o Sebrae-SP, juntamente com entidades parceiras locais, a iniciar no ano passado um trabalho para desenvolvimento de um Arranjo Produtivo Local (APL) do setor no município.
As entidades parceiras na implantação do arranjo produtivo local são escritório regional do Sebrae-SP em Guarulhos, ACE-Guarulhos (Associação Comercial e Empresarial), Secretaria Municipal de Indústria, Comércio e Abastecimento (Sica), Agência de Desenvolvimento de Guarulhos (Agende), Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo), Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit) e Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas de Confecção e Vestuário.
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