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Dólar fecha a R$ 1,982, menor taxa desde janeiro de 2001

Guarulhos, 16 de maio de 2007

A moeda norte-americana registrou forte queda nesta terça-feira, 15, em relação ao real. No fechamento dos negócios, chegou ao patamar de R 1,9820, em queda de 1,34% em relação aos últimos negócios de ontem. Trata-se da menor cotação da moeda desde o 31 de janeiro de 2001.O mercado de câmbio operou em baixa desde a abertura dos negócios, pressionado pelo fluxo cambial positivo, a alta das Bolsas de Nova York e de São Paulo, e com o resultado da inflação ao consumidor norte-americano.

O CPI – inflação ao consumidor nos EUA – no mês de abril ficou em 0,4% diante do aumento contínuo nos custos de energia e alimentos, mas a alta ficou abaixo do esperado por analistas. Isso indica uma cenário mais estável para inflação. Economistas de Wall Street esperavam um avanço de 0,5%. O Departamento de Trabalho informou ainda que o núcleo do índice – preços sem oscilação sazonal -, que exclui alimentos e energia, subiu 0,2% em abril, em linha com o esperado. Para as economias de todo o mundo, é favorável, pois significa que os juros norte-americanos não subiriam mais, o que garante o poder de compra do mercado norte-americano.

Para os investidores, a tendência é buscar ganhos melhores em países emergentes, como o Brasil. O resultado é o aumento de liquidez (abundância de dólares nas economias). O recuo do risco Brasil – taxa que mede a desconfiança do investidor estrangeiro na capacidade de pagamento da dívida do país – também reforça os fundamentos da economia brasileira e favoreceu o declínio das cotações do dólar. Às 16h22, o risco Brasil cedia 3 pontos para 149 pontos-base.

Quanto menor a taxa, maior a confiança do investidor estrangeiro. Lula diz que não “dá para fazer milagre” O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira que “não há milagre” a se fazer sobre o câmbio, mas que o governo pode adotar algumas medidas que ajudem a dar mais competitividade às empresas brasileiras. “O câmbio vai continuar sendo flutuante, e ele vai se ajustar”, disse Lula na primeira entrevista coletiva do segundo mandato. “O que nós precisamos é de medidas tributárias… ao mesmo tempo incentivar que as empresas adotem inovação tecnológica”, acrescentou o presidente. “O dólar vai se ajustar na medida em que se importar mais bens de capital, reduzir a taxa de juro.” O presidente lembrou ainda que, à medida que o Brasil vai “consolidando sua economia, mais dólares vão entrar aqui”.

Para Lula, isso mostra uma mudança positiva no cenário econômico. “Se antes o banco (BC) tinha que vender dólar para poder baixar o preço do dólar, hoje estamos comprando para o dólar não baixar, e estamos comprando muito”, disse. Lula admitiu que a competição com a China é bastante difícil e defendeu a posição brasileira de ser favorável a que o país asiático seja considerado uma economia de mercado.

Quem ganha e quem perde com a queda do dólar Quem ganha – Consumidor: a concorrência dos produtos importados faz os preços caírem, com reflexo positivo na inflação. – Importadores: o barateamento de matérias-primas importadas favorece alguns setores da indústria. – Viagens: os gastos dos brasileiros com viagens internacionais atingiram recorde de US 6 bilhões no período de 12 meses terminado em fevereiro.

Quem perde – Indústrias exportadoras: a exportação de industrializados perde competitividade com o dólar desvalorizado ante o real. – Balança comercial: nos 12 meses terminados em março, o saldo comercial teve a primeira queda desde 2001. – Empregos: pressionados pela concorrência internacional, tando no mercado doméstico quanto no de exportação, setores intensivos em mão de obra, como a indústria têxtil e de confecção e calçados, têm reduzido custos, o que inclui corte no quadro de pessoal.