Se, para um proprietário, manter um imóvel vazio não compensa, para um investidor conservador do mercado de ações deixar os papéis “parados” também pode não valer a pena. Assim como fazem os donos de casas e apartamentos que vivem de renda, muitas pessoas físicas já emprestam, mediante pagamento de um aluguel, suas ações a outros investidores.
Segundo o gerente de Risco de Contraparte Central da BM&FBovespa, Daniel Granja, a alta de 57% no volume movimentado pelos empréstimos de ações entre 2010 e 2011 mostra o amadurecimento do investidor. “Ele encontrou uma possibilidade de ganho adicional com as ações.” Granja acrescenta que a comparação entre alugar imóveis e ações tem só uma diferença: o segundo ativo é mais líquido, ou seja, o proprietário pode vendê-lo mais rápido.
A analista financeira Roberta Vaz de Marque, de 28 anos, descobriu o aluguel no começo deste ano. “Invisto na bolsa desde 2006 e agora um corretor me explicou sobre esse tipo de operação. Decidi colocar disponíveis para alugar ações em que não pretendo mexer por pelo menos dez anos”, diz Roberta.
Em janeiro, a analista alugou papéis do setor de energia elétrica, que geram bons dividendos. “Será bom porque antes elas só rendiam o que valorizavam. Agora receberei os dividendos e os rendimentos do aluguel”, comemora a analista. Ela cobrou um percentual menor do que poderia por ter colocado no contrato uma cláusula que lhe garante o direito de ter as ações de volta quando quiser. “Mesmo com uma taxa menor, achei mais seguro. Assim, não fico presa no papel”, afirma.