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Dá para viver “de renda” na bolsa de valores

Guarulhos, 14 de fevereiro de 2012
Se, para um proprietário, manter um imóvel vazio não compensa, para um investidor conservador do mercado de ações deixar os papéis “parados” também pode não valer a pena. Assim como fazem os donos de casas e apartamentos que vivem de renda, muitas pessoas físicas já emprestam, mediante pagamento de um aluguel, suas ações a outros investidores.
Segundo o gerente de Risco de Contraparte Central da BM&FBovespa, Daniel Granja, a alta de 57% no volume movimentado pelos empréstimos de ações entre 2010 e 2011 mostra o amadurecimento do investidor. “Ele encontrou uma possibilidade de ganho adicional com as ações.” Granja acrescenta que a comparação entre alugar imóveis e ações tem só uma diferença: o segundo ativo é mais líquido, ou seja, o proprietário pode vendê-lo mais rápido.
 
A analista financeira Roberta Vaz de Marque, de 28 anos, descobriu o aluguel no começo deste ano. “Invisto na bolsa desde 2006 e agora um corretor me explicou sobre esse tipo de operação. Decidi colocar disponíveis para alugar ações em que não pretendo mexer por pelo menos dez anos”, diz Roberta.
 
Em janeiro, a analista alugou papéis do setor de energia elétrica, que geram bons dividendos. “Será bom porque antes elas só rendiam o que valorizavam. Agora receberei os dividendos e os rendimentos do aluguel”, comemora a analista. Ela cobrou um percentual menor do que poderia por ter colocado no contrato uma cláusula que lhe garante o direito de ter as ações de volta quando quiser. “Mesmo com uma taxa menor, achei mais seguro. Assim, não fico presa no papel”, afirma.