Cuidado. Pode ser falsa
O volume de notas falsas que circulam no mercado brasileiro cresceu no ano passado. E continua em alta este ano, tendo como principal vítima o comércio. Em 2005, segundo dados do Banco Central (BC), foram apreendidas 422,9 mil cédulas falsas, avaliadas em R$ 15,5 milhões – R$ 9,04 milhões a mais do que foi registrado em 2004. Neste ano, até o mês de julho, já foram encaminhadas à autoridade monetária para destruição 182,9 mil notas, no valor de R$ 7,1 milhões. E uma pesquisa feita pelo BC revelou que 74% dos estabelecimentos comerciais brasileiros já receberam dinheiro falsificado em algum momento.
A nota falsa é colocada em circulação das mais variadas formas. Há casos de saque de cédulas em caixas eletrônicos e, até, na boca do caixa de agências bancárias, o que vem gerando ações na Justiça por danos morais movidas por clientes.
Para evitar ações desse tipo e, também, o constrangimento aos clientes, os bancos vêm adotando a postura de trocar a nota falsa por outra autêntica depois da comprovação de que a cédula foi realmente sacada de um de seus caixas. Mas, antes disso, é feito um levantamento do dia e horário da transação para verificar se as informações prestadas pelo cliente são verdadeiras.
Segundo o superintendente de projetos especiais da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Jorge Higashino, os bancos também treinam seus funcionários para avaliar a reação do cliente quando ele apresenta uma nota falsa, afirmando que sacou de um caixa eletrônico. “Dá para perceber quando um cliente realmente sacou o dinheiro falso da instituição. A abordagem é diferente”, conta.
Experiência – Do lado do comércio, o conhecimento empírico de caixas e gerentes de lojas é a arma para evitar o recebimento de dinheiro falso. De acordo com a pesquisa do BC, 90% dos caixas que atuam no comércio têm o costume de checar a autenticidade das notas, de forma visual ou pelo tato. E, quando recebem uma cédula falsa, 72% devolvem para o consumidor.
O gerente da loja Nelson Bolsas, Adofino Xavier Neto, por exemplo, verifica a autenticidade da nota pela textura do papel e presença da marca d'água. “Como trabalho muito com dinheiro, só de olhar percebo quando é falsa”, comentou. A mesma tática é usada pela sub-gerente da AZ Calzature, Luciana Braga. “Sempre observo a marca d'água, a textura e a numeração do BC no canto inferior esquerdo da cédula. Com isso, nunca recebi uma que não fosse verdadeira”, disse.
A gerente da loja O Boticário da Rua São Bento, Vanessa Guizoelin, informou que, pelo fato de sempre estar atenta ao fato, nunca foi surpreendida pela fraude. “A maioria de nossas transações é feita com cartão de crédito ou débito, mas quando o pagamento é em dinhei-ro, verificamos a autenticidade de cada cédula”, afirmou.
Caneta – Já a rede de lojas Econômica resolveu comprar um detectador portátil de dinheiro falso depois de ter recebido uma nota de R$ 20. “A cópia era tão perfeita que não conseguimos identificar. Desde então, utilizamos a caneta Detecta para checar a autenticidade de notas suspeitas”, contou o gerente Marcos Ferreira da Silva.
Para o diretor do Instituto de Economia Gastão Vidigal, da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Marcel Solimeo, é importante que o varejo intensifique a qualificação de seus funcionários para evitar prejuízos decorrentes dessa fraude. Até porque, segundo a pesquisa do BC, em 80% dos casos de recebimento de notas falsas, é o estabelecimento que assume o prejuízo. “Além da orientação, principalmente aos caixas, os lojistas também devem ficar atentos aos equipamentos disponíveis no mercado para facilitar a identificação do dinheiro falso”, completou o economista.
Penalidade – São simples os cuidados para evitar o recebimento de notas falsas. Caso não funcionem, o ideal é entregar a cédula falsa a um banco para que seja encaminhada para análise do BC. De acordo com o artigo 289 do Código Penal Brasileiro (CPB), “falsificar moeda metálica ou papel-moeda” pode resultar em pena de três a 12 meses de reclusão. “Essa penalidade é aplicada quando fica comprovada a intenção de falsificar. Mas, mesmo que uma pessoa não saiba que está portando uma nota falsa, ela também pode ser presa por, no mínimo, seis meses”, alertou o promotor de Justiça Marco Antonio Ferreira Lima.





