Em Guarulhos, novos empreendimentos imobiliários serão lançados em 2009. Pelo menos é o que prevê o diretor de marketing da Itaplan, Fábio Rossi Filho. Segundo ele, a crise econômica mundial não desaquecerá o setor na cidade. “Pretendemos, até o final do ano, ter, pelo menos, 25% a mais de lançamentos em Guarulhos [em comparação com 2008]”, garantiu o diretor. No ano passado foram cinco novos empreendimentos. “Teremos mais seis lançamentos ainda neste primeiro semestre”, adiantou. Demissões não estão previstas. “Precisamos vender. Então, precisamos de vendedores.”
Rossi Filho diz que a crise atinge todos os setores da economia. “Claro que interfere inclusive nos nossos negócios. Não nos resultados. Mas na maneira de trabalhar. Por isso, nossa responsabilidade é maior. Montamos uma tabela de venda para ter resultado. Temos que ter mais flexibilidade na hora de negociar e readaptar nossos produtos”, explicou ele. “No nosso mercado, com crise, o negócio é estudar todas as maneiras de fazer o negócio acontecer. Em 40 anos de Guarulhos, já temos mais de 100 empreendimentos na cidade. Acreditamos em Guarulhos.” Na avaliação dele, são vários os indicadores de que há demanda que justificam lançamentos de novas unidades habitacionais na cidade.
“O aeroporto [Internacional de São Paulo/Cumbica] só tem crescido. E morar em Guarulhos garante praticidade de locomoção pela proximidade das rodovias Presidente Dutra e Ayrton Senna”, disse. “Guarulhos continuará tendo compradores”, definiu Rossi Filho. Segundo ele, a Itaplan lançará, este ano, imóveis para duas faixas de renda: de R$ 60 mil a R$ 120 mil, para trabalhadores com renda entre R$ 2,5 mil e R$ 5 mil, e de R$ 250 mil a R$ 750, para clientes com rendas superiores, “normalmente profissionais liberais.”
O delegado do Conselho Regional dos Corretores de Imóveis (Creci) da 2ª região, que inclui Guarulhos, Donizete de Araujo Branco, também está otimista. “O mercado imobiliário garante rentabilidade e segurança para o empreendedor. É um porto seguro, mesmo em época de crise. Sabemos que, na cidade, vários empreendimentos estão aprovados, em andamento, com vendas. Sabemos, inclusive, que teremos, para 2010, oferta no mercado de quase 20 mil unidades habitacionais novas. É muita coisa. O mercado continuará aquecido”, previu Branco.
Pequenos preveem impacto negativo – Se para grandes empreendedores e na avaliação do Conselho Regional dos Corretores de Imóveis (Creci) a crise econômica mundial não impedirá lançamentos e não desaquecerá o mercado este ano, já os pequenos preveem retração. “Em 2009, não teremos novos lançamentos em Guarulhos. Construímos em 2008 e vendemos muito bem. Mas, agora, o banco não está liberando crédito com tanta facilidade por causa da crise”, afirmou o proprietário da Ellu´s Construção e Imóveis, Gaetano Lacorte Pantaleno.
A alternativa, avalia ele, é buscar crédito longe de Guarulhos. “Estamos buscando novos mercados [em outros estados]. Se tivesse crédito aqui, eu investiria na cidade porque ainda tem mercado aqui”, disse. Outro que não mostra muito otimismo é o diretor de economia do Sindicato da Indústria da Construção (Sinduscon), Eduardo Zaidan. “Em 2008, muita coisa foi lançada. Então é natural que aconteça agora um refluxo. Primeiro precisa vender tudo para formar nova demanda. E temos os reflexos da crise. Ninguém ainda é capaz de avaliar a profundidade e a extensão dessa crise. Então, para empreendimentos de longo prazo é preciso grande cautela”, opinou Zaidan, que acredita em resultados melhores no segundo semestre. “Tudo deve encaminhar para a normalidade”, resumiu ele.