Recessão no mundo desenvolvido; desaceleração de 5,1% neste ano (projeção), para 2,8% de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), em 2009, aqui no Brasil. A notícia boa é que a inflação deve ceder de 6,3% (projeção) em 2008, para 5,2%, no ano que vem. Os setores que mais vão sofrer com essa retração da economia são o automobilístico, bens de capital, agronegócio – com destaque para açúcar e álcool –, construção civil, mineração e siderurgia.
Essas projeções do economista e professor José Roberto Mendonça de Barros, da MB Associados, levam em conta um cenário mundial relativamente otimista, com o grosso da crise se esgotando, com retorno ao crescimento, a partir do segundo semestre de 2009. Esse quadro revela, portanto, que os setores que mais vão sofrer são os dependentes do crédito.
“Como os consumidores de renda alta sentirão mais a perda de riqueza, os bens com maior valor agregado, como veículos e eletroeletrônicos, estarão na linha de frente da queda de vendas”, previu Mendonça de Barros, que fez um alerta para empresários e executivos, presentes ontem na última reunião de conjuntura deste ano realizada na Associação Comercial de São Paulo (ACSP): “Será preciso fazer ajustes nas empresas para enfrentar essa freada”.
Dúvidas – O professor mostrou que adotou um otimismo moderado. “Quem disser que sabe realmente o que está acontecendo está mal informado”, ironizou. Sobretudo, porque a crise que se espalhou pelo mundo, a partir de setembro passado, “é de falta de confiança”, quadro que poderá se reverter ao longo do ano que vem, se o governo americano “vender otimismo”.
Para os pessimistas, segundo o professor, a crise vai durar uns dois anos, até 2010. Mas Mendonça de Barros faz outra aposta: a China deverá continuar crescendo entre 8% e 8,5% promovendo a retomada dos preços das commodities. Mas as exportações chinesas continuarão com preços competitivos, o que é uma ameaça para o Brasil. Em resumo: “Achamos que 2009 será o ano perdido”.
Falta de crédito – Fora isso, o nosso grande problema continuará sendo a escassez do crédito, apesar da redução do compulsório e da injeção de recursos públicos para ajudar setores, como, por exemplo, o automobilístico. “O crédito ainda está muito travado” e o dinheiro continua “empoçado” nos bancos por dois motivos: medo ao risco de emprestar e empresas ainda renegociando suas aplicações em derivativos cambiais e em moeda estrangeira.