O famoso jeitinho brasileiro foi importante aliado para o desenvolvimento e a consolidação da tecnologia wireless ou sem fio, que conquistou o mundo na última década. “Temos tanta criatividade que o Brasil assumiu perfil avançado na plataforma wifi”, diz Magdiel da Costa Santos, presidente da Rede Global Info, entidade formada por cerca de 700 pequenos provedores de internet associados de todo o país.
“A criatividade brasileira contribuiu para a evolução da tecnologia sem fio. Por este motivo, os profissionais de Tecnologia da Informação (TI) daqui são procurados para prestar serviços em tecnologia wifi em outros países”, informa o presidente da rede.
Magdiel é especialista no tema e ministra treinamentos nos Estados Unidos, Argentina, Bolívia, Equador, Venezuela, Peru, Chile, Uruguai e Paraguai. “Exportamos essa expertise há onze anos”, revela. O mercado nacional de telecomunicações é um colosso como o norte-americano em termos de potencial e necessidade, em decorrência da sua grande extensão territorial, conforme destaca Magdiel. Nos Estados Unidos, o acesso à internet discada (banda estreita) convive com outras modalidades avançadas tecnologicamente como cabo, satélite, rádio e wifi.
Da porta para dentro – O mercado norte-americano foi o primeiro a receber as redes wifi, mas, no início, elas funcionavam pela forma indoor, isto é, “da porta para dentro” das instituições e empresas que as utilizavam. Este sistema possibilitava o acesso à internet via roteador (equipamento usado para comunicação entre diferentes redes de computadores). Na tecnologia indoor, um equipamento atende vários outros ao mesmo tempo, desde que instalados num raio de 5 a 10 km, no máximo.
O Brasil está entre os primeiros países em que ocorreram as experiências bem-sucedidas de adaptação da tecnologia de acesso à internet via radiofrequência para a plataforma outdoor, ou seja,”da porta para fora”, viabilizando acesso ponto a ponto. Profissionais brasileiros colocaram o roteador fora do prédio numa caixa isolada – para evitar barreiras físicas e interferências de radiofrequência – e observaram que os dados podiam ser transmitidos em linha reta até distâncias de 70 a 100 km, de um ponto A para um ponto B.
A partir daí, especialistas de TI de outras partes do mundo vieram ao país para conhecer de perto as experiências, que evoluíram para a tecnologia mais moderna atualmente de acesso à internet, oferecida tanto para computadores de mesas quanto notebooks.
A tecnologia solar adaptada para o acesso à rede mundial de computadores é também outra área de destaque brasileiro. Na capital paulista, por exemplo, é comum provedores de internet oferecerem acesso a condomínios sem depender de energia elétrica. Colocam-se painéis solares para coletar e armazenar energia do sol para atender todo o condomínio, tornando a manutenção do serviço mais barata para os moradores. “Há localidades em que os painéis solares viabilizam o acesso à internet, mesmo que as cidades não possuam infra-estrutura”, ressalta Magdiel.
O presidente da Rede Global pondera que o serviço de acesso à internet deve ser oferecido pela iniciativa privada e não pelo Estado. “Quem será responsável pela manutenção do serviço num município se houver um problema técnico em um sábado?”, questiona.