Pesquisas de intenção do consumo e indicadores de inadimplência mostram que existe uma demanda reprimida prestes a transformar-se em gastos desde que existam melhores condições de crédito. De acordo com levantamento do Programa de Estudos do Varejo (Provar), da Fundação Instituto de Administração da USP, houve aumento no número de consumidores com intenção de compra no segundo trimestre.
Enquanto, em 2002, cerca de 69% dos entrevistados diziam que não iriam comprar no segundo trimestre, neste ano só 37% se manifestaram dessa maneira. Além disso, a tendência de consumo está voltada para bens de maior valor, como geladeiras, fogões, eletroeletrônicos e automóveis. O coordenador de pesquisas do Provar, Luiz Paulo Lopes Favero, afirma que há sinais concretos de retomada do consumo nos próximos meses, pois as pessoas estão mostrando disposição para se endividar – 15,7% dos consumidores ouvidos pretendem comprar produtos da linha branca e, destes, 79,7% fariam a compra pelo crediário.
A inadimplência em queda também abre espaço para mais financiamentos. Os títulos protestados caíram 17% no primeiro trimestre e os cheques sem fundo diminuíram 3,4%. Contudo, alguns analistas acreditam que só no segundo semestre, com uma redução nas taxas de juros, haverá crescimento da demanda.
Enquanto isso, grandes lojistas se preparam para conceder mais crédito e já esperam vendas maiores. Com a queda da inadimplência de 3,5% para 2,2% das vendas.