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CPI dos Correios: governo fracassa

Os presidentes Renan e Severino: sem entraves e certeza que CPI sai
 
O governo fracassou na tentativa de convencer parlamentares da base aliada a retirar suas assinaturas do requerimento de criação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar o suposto esquema de propinas nos Correios. No primeiro dia da “operação abafa”, apenas cinco deputados haviam retirado suas assinaturas.

No Senado, a ação do governo provocou um efeito inverso: mais três senadores – Marcelo Crivella (PL-RJ), Aelton Freitas (PL-MG) e Magno Malta (PL-ES) – assinaram ontem o pedido de investigação, aumentando o total de signatários para 49 (são necessárias 27 assinaturas). No fim do dia, a contagem na Câmara era de 217 assinaturas (são necessárias 171), 46 a mais do que o mínimo exigido.

Diante das dificuldades, o governo já trabalha para tentar restringir a investigação aos Correios. Mesmo assim, o Planalto insistirá na estratégia de convencer parlamentares aliados a retirar seus nomes da lista de apoio à CPI.

Regras – O líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), afirmou que “o governo estará preparado” caso haja a CPMI. “Se houver tentativa, o que é bem provável, de fazer dessa CPI um palanque eleitoral, estaremos preparados”.

Caso a CPMI da propina seja instalada, o líder do governo na Câmara considera que um dos principais cargos, presidência ou relatoria, deve ficar com um parlamentar do PT, maior partido na Câmara. “Há regras no Parlamento. Sempre cabe à maior bancada a presidência ou relatoria”, afirmou Chinaglia. De acordo com a tradição, em CPIs mistas, o Senado e a Câmara se revezam nas indicações para os dois cargos, que são ocupados por integrantes das maiores bancadas de cada Casa.

O presidente do Senado, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), em comum acordo com o presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), já marcou para as 10 horas, da próxima quarta-feira, a leitura do requerimento do pedido de instalação da CPMI dos Correios. Os governistas acreditam que o PSDB e o PFL têm outras assinaturas guardadas para repor eventuais retiradas. Até a meia-noite do dia da leitura do requerimento, os parlamentares podem retirar assinaturas, antes de o documento ser publicado no Diário Oficial da União, uma praxe no Congresso. E este é o prazo final do governo. Os líderes partidários terão 30 dias para indicar os membros da comissão – 15 senadores e 15 deputados. Caso isso não ocorra, Renan poderá fazer as indicações.

Severino apóia – Severino afirmou ontem que não oporá “qualquer obstáculo” ao trabalho da comissão parlamentar mista de inquérito, destinada a “esclarecer a verdade” sobre as denúncias de corrupção nos Correios. “A CPI será instalada se tiver obedecido a todos os requisitos regimentais”, acrescentou.

Renan, por sua vez, afirmou também que está convencido de que a CPMI será instalada porque todos os líderes partidários com os quais conversou demonstraram disposição de indicar os representantes do partido na comissão. “Tenho absoluta convicção de que os líderes vão cumprir, fazendo as indicações”, disse. (Agências)

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