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Copom: tudo igual para os juros

Em meio aos temores sobre uma possível recessão nos Estados Unidos e às fortes oscilações nas bolsas de valores, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu por unanimidade manter a taxa básica de juros, a Selic, em 11,5% ao ano pela terceira vez consecutiva. A ata dessa primeira reunião do ano será divulgada na quinta-feira da próxima semana. A cautela não foi surpresa. Os analistas já esperavam essa atitude tanto em função das incertezas sobre os rumos da economia mundial quanto do aumento da inflação brasileira.

O Copom também não estabeleceu viés para a taxa de juros, como chegou a ser cogitado pelos analistas. Assim, a Selic permanecerá no mesmo patamar até o próximo encontro, em 4 e 5 de março. O comunicado do órgão diz que o Comitê “irá acompanhar a evolução do cenário macroeconômico até sua próxima reunião, para então definir os próximos passos na sua estratégia de política monetária”.

A manutenção da Selic em 11,5% ao ano dividiu a opinião dos empresários. Para o presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Alencar Burti, a decisão era esperada por conta das incertezas no cenário internacional. “A forte redução dos juros nos Estados Unidos poderia permitir algum corte da Selic”, comentou. “O que nos preocupa é o aumento do diferencial dos juros internos com os externos e seus reflexos sobre o câmbio. Devemos considerar que a elevação do Imposto sobre Operação Financeira (IOF) provocou aumento do custo dos financiamentos, o que deve inibir a expansão do consumo.”

Abram Szajman, presidente da Federação do Comércio de São Paulo, foi pelo mesmo caminho. “Não podemos ignorar que, se as reduções da Selic tivessem sido maiores, hoje os juros estariam próximos do seu nível mínimo, e a cautela não traria ônus para o setor produtivo.” A Fecomercio-SP diz esperar a retomada da trajetória de queda a partir da próxima reunião do Copom.

“No momento em que o Fed, o banco central norte-americano, baixa os juros, o Copom mantém a Selic em 11,25% ao ano”, disse Paulo Skaf, presidente da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp/Ciesp). “Esse posicionamento aumentará o diferencial de juros do Brasil em relação às economias internacionais”. Para Paulo Pereira da Silva, presidente da Força Sindical, a decisão “inibe a geração de empregos e renda”.

Logo após a reunião, o banco ABN Amro Real anunciou a redução dos juros das linhas de crédito voltadas ao empreendedorismo, à inclusão social, à preservação da biodiversidade, entre outras. As taxas dos financiamentos para educação, por exemplo, passaram de 2,05% para 1,89% ao mês. Segundo Paul Witsiers, superintendente-executivo do banco, “esse ajuste sinaliza o comprometimento do banco Real com a melhoria da acessibilidade e da educação”.

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