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Copom surpreende: Selic cai 0,5 ponto

O Comitê de Política Monetária (Copom) cortou ontem a taxa de juros em 0,5 ponto percentual, para 14,25% ao ano. O corte foi mais ousado do que esperava a maioria dos economistas de mercado. Para alguns, a queda generosa pode ser mais uma preparação para uma notícia ruim: os dados sobre o crescimento da economia no segundo trimestre do ano, que serão divulgados hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O número mostrará um crescimento mais brando do que no primeiro trimestre, segundo antecipou o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo.

Por esse raciocínio dos analistas, o juro em queda indicará que há espaço para um crescimento mais forte à frente. É uma tentativa de contrabalançar o desempenho ruim da economia em meados deste ano, principalmente em junho. O dado do IBGE certamente será explorado pela oposição. Mais grave do ponto de vista dos economistas, porém, é que ele pode “desanimar” decisões de investimento. O juro em queda, por sua vez, teria um efeito contrário sobre a expectativa dos empresários.

O Copom vem cortando os juros a um ritmo de meio em meio ponto percentual desde maio, mas a expectativa era de que haveria uma “freada” nos cortes na reunião de ontem. Os economistas haviam chegado a essa conclusão depois de ler a ata da reunião anterior do Comitê, em que os diretores do Banco Central (BC) falavam em “maior parcimônia” na queda dos juros. Por isso, a aposta majoritária entre os analistas era de 0,25 ponto.

“Avaliando o cenário macroeconômico e as perspectivas para a inflação, o Copom decidiu por unanimidade reduzir a taxa Selic para 14,25%, sem viés”, disse o comunicado divulgado pelo BC.

Com o corte de ontem, e considerando a inflação projetada pelo mercado segundo a pesquisa Focus, que será de 4,51% nos próximos 12 meses, a taxa real de juros no Brasil cairia para 9,74%. Por esse cálculo, seria a menor taxa real desde 2004.

Esse foi o décimo corte consecutivo da Selic. Em agosto de 2005, a taxa estava em 19,75%. A redução dos juros de lá até agora foi de 5,5 pontos percentuais, no mais longo ciclo de quedas desde a criação do Comitê. A próxima reunião do Copom será nos dias 17 e 18 de outubro, e a ata da reunião de ontem será divulgada no próximo dia 8 de setembro.

Repercussão – O corte nos juros foi comemorado pelo líder do PT na Câmara, Henrique Fontana. “Reduzir a taxa de juros para o nível mais baixo dos últimos 10 anos é uma demonstração da solidez da política econômica do governo.”

Já o diretor do Instituto de Economia Gastão Vidigal, da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Marcel Solimeo, disse que “a decisão do Copom de reduzir em 0,5 ponto a taxa Selic justifica-se pelo nível de inflação estar abaixo da meta estipulada e pelo nível de atividade continuar fraco. A manutenção de quedas de 0,5% a cada reunião dá esperança de que o juro brasileiro chegue a um nível mais adequado no próximo ano”.

A exemplo dele, entretanto, o setor produtivo ainda não está satisfeito. O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Carlos Eduardo Moreira Ferreira, pediu cortes mais ousados. “O ritmo contido da atividade econômica e as projeções cada vez mais consensuais acerca do cumprimento, com folga, das metas de inflação para 2006 e 2007 permitem concluir que os juros reais seguem em patamar excessivamente elevado”, avaliou Moreira Ferreira.

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