Em votação apertada, a taxa básica (Selic) foi reduzida em 0,5 ponto percentual, para 11,5% ao ano, pelos integrantes do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC). Quatro diretores votaram por queda de 0,5 ponto, mas três membros do comitê queriam redução de 0,25 ponto percentual
Com a decisão, o Brasil deixa a liderança na lista dos maiores juros reais do mundo pela primeira vez desde fevereiro de 2005. A taxa, que considera o desconto da inflação projetada para os próximos 12 meses, caiu de 8,3% para 7,7% ao ano. Segundo cálculos da consultoria UpTrend, o posto agora é ocupado pela Turquia, cuja taxa real é de 8,2% ao ano. No quadro dos juros nominais, o Brasil ocupa a terceira colocação do ranking mundial.
A redução determinada ontem foi a 17ª consecutiva, em um ciclo de cortes iniciado em setembro de 2005, quando a taxa caiu de 19,75% para 19,5% anuais. A baixa acumulada da Selic desde setembro de 2005 é de 8,25 pontos percentuais. Em 2007, a queda é de 1,75 ponto.
“O comitê irá acompanhar a evolução do cenário macroeconômico até sua próxima reunião para então definir os próximos passos na sua estratégia de política monetária”, informou a nota divulgada pelo BC ontem à noite. A próxima reunião do Copom será nos dias 4 e 5 de setembro.
Sem surpresa — A decisão do Copom era a esperada pela maior parte dos analistas do mercado financeiro, que agora apostam na retomada de reduções menores a partir de setembro. “O corte de 0,5 ponto na Selic é coerente com os principais indicadores da economia. Entendemos que o processo de redução deve continuar, pois, apesar das quedas nos últimos anos, ainda temos taxas muito elevadas”, afirmou Alencar Burti, presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp) e da Confederação das Associações Comerciais do Brasil (CACB).
Para Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), a decisão é positiva, mas desde que a meta para este ano chegue a 10% anuais. Segundo ele, esse percentual já demonstra consciência da necessidade de incentivar o crescimento do Brasil, aspiração de todos brasileiros e razão de ser do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
Minutos depois do anúncio do corte da Selic, instituições financeiras anunciaram quedas nas taxas de empréstimos cobradas dos clientes. Decidiram diminuir o juros a Caixa Econômica Federal, o Banco do Brasil e o Bradesco. (AE)