ACE-Guarulhos

Cooperativas reduzem custo do crédito

Custo mais baixo, confiança no sistema e rapidez na aprovação dos empréstimos foram alguns dos motivos que atraíram a empresária Marisa de Oliveira Poli para os serviços da Cooperativa de Crédito de Guarulhos (SP). Pertencente a uma tradicional família local – o avô e o pai foram prefeitos do município -, Marisa encontrou no modelo das cooperativas de crédito uma forma de cobrir os gastos de casa em momentos mais delicados e também de alavancar os negócios dos filhos, todos estabelecidos na cidade.


“Há mais de 10 anos sou cooperada, meus filhos depois também entraram. É um esquema muito interessante, em que as taxas são as mais baixas do mercado”, diz a psicóloga, que não exerce a profissão, mas auxilia nos negócios da família que vão pipocando.

O espaço onde está localizado o cyber café ganhou, no mês passado, o Kame Sushi, restaurante japonês. Há também a empresa de eventos de um filho, o escritório de advocacia de outro e o consultório de dentista de uma filha. Para cada empreendimento aberto, o suporte da cooperativa foi providencial.

“O dinheiro sai mais rápido do que no banco e o financiamento é dividido de acordo com as nossas necessidades. Se antecipar o pagamento, o juro que falta é abatido da conta”, aponta a empresária Marisa de Oliveira.

Para tudo – A comerciante Alice de Conceição Gonçais Fernandes e sua filha Paula, donas de uma lanchonete que emprega nove funcionários no centro de Guarulhos (SP), também são, há tempos, clientes da mesma cooperativa. “Há oito anos usamos o sistema, não apenas em empréstimos pessoais e para o nosso negócio, mas também para uso de conta corrente, que não cobra taxas de extrato, só R$ 5,00 por talão extra”, conta Paula. Sua mãe, que é aposentada, é cliente da Cooperativa de Crédito de Guarulhos, fundada em 1957 e considerada hoje uma das mais antigas em atividade no País.

Marisa, Alice e Paula são três exemplos de sucesso numa constelação que hoje congrega 1,4 milhão de pessoas no Brasil, 310 mil somente em São Paulo. Surgidas no início do século 20 no Brasil – a primeira foi fundada em 1902 em Nova Petrópolis (RS) -, as cooperativas ganharam fôlego e foram abertas às dezenas, até que, nos anos 60, o Banco Central fechou a maior parte delas por suspeitas de fraudes financeiras, enquanto outras sucumbiram ao crescimento avassalador dos bancos . Restaram apenas 12 do modelo chamado de livre adesão, em que qualquer pessoa pode dispor de seus serviços.

Guarulhos – Uma dessas remanescentes foi justamente a Cooperativa de Crédito de Guarulhos, que hoje tem 3.106 associados, capital de R$ 2,852 milhões, reserva de R$ 1,2 milhão e empréstimos no valor totalde R$ 6.173 milhões.

“Atendemos 750 cooperados em 3.615 operações durante 2004”, recorda Milton Mesquita, presidente da cooperativa, para quem “cooperativa não pode ser confundida com banco, pois não cobra juros”. Segundo ele, cobra-se uma tarifa real de 3%, como encargo financeiro. O retorno líquido, aquele que em um banco seria encarado como lucro, é chamado de sobra.

Como é uma administradora de recursos do cooperado, se tiver essa sobra ela é do associado; se der prejuízo, é dele também. Até hoje, porém, isso não ocorreu”, diz o veterano advogado.

Segundo Milton Mesquita, os empréstimos pessoais, com taxas de 3% ao mês e prazos para pagamento que chegam a 30 meses, poderiam baixar para 2,5% não fosse uma inadimplência de cerca de 10%.

Conceitualmente reconhecida como uma associação de pessoas que buscam, por meio de ajuda mútua e sem fins lucrativos, uma melhor administração de seus recursos financeiros, a cooperativa tem como objetivo prestar assistência de crédito e de serviços bancários a seus associados, a custos mais baixos.

Em condições de oferecer empréstimos, contas correntes e até cartões de crédito, as cooperativas foram equiparadas às instituições financeiras pela Lei 4.595, com funcionamento autorizado e regulado pelo Banco Central. Com status de banco, essas associações começaram a recuperar a musculatura perdida nos anos 60.

“Até cinco anos atrás, a participação das cooperativas no mercado econômico era praticamente zero. Hoje, é de 1,94%. Mas é preciso crescer. O que se busca junto ao governo é uma linha de crédito, com o argumento de que o cooperativismo é a melhor forma de inclusão social para o País”, argumenta Márcio Meloni, diretor de crédito da Organização das Cooperativas de Crédito do Estado de São Paulo (Ocesp).

Segundo ele, está em estudo a criação de uma linha de financiamento pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) de R$ 3,2 bilhões, que, se concretizada, mais do que dobraria o patrimônio das cooperativas de crédito, que em 2004 chegou a R$ 2,26 bilhões.

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