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Conveniência: pequenos dominam

Guarulhos, 23 de abril de 2007

O crescimento físico do segmento de lojas de conveniência hoje é garantido por marcas individuais, não mais por grandes franquias. A nova formatação desse mercado é notada há pelo menos três anos, mas parece ter se consolidado em 2006. Ao longo desse processo, verificou-se que, enquanto o segmento todo (lojas individuais e de franquias) veio crescendo a uma taxa média anual superior a 15% em número de estabelecimentos, as lojas franqueadas cresceram apenas entre 3% a 5% ao ano, segundo a Associação Brasileira de Franchising (ABF).

Em 2006, das cerca de 5 mil lojas de conveniência que funcionavam no País, instaladas principalmente dentro de postos de combustíveis, apenas 1.870 pertenciam a alguma franquia. Essa movimentação do mercado surpreende especialistas em varejo, uma vez que o formato de franquia sempre puxou o segmento de conveniência no mundo inteiro. Mesmo no caso brasileiro, foi só a partir de 1994, quando a lei de franquia foi instituída, que as lojas de conveniência tiveram impulso, saltando de 140 estabelecimentos para os números atuais.

A distorção do mercado brasileiro, que viu nos últimos anos as lojas individuais desbancarem as franqueadas, é vista pelo especialista em varejo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Juracy Parente, como resultado da necessidade de os lojistas terem maior flexibilidade para adequar as lojas à região onde estão instaladas. “O segmento de conveniência no Brasil passa por um momento de ajuste de formato. Ele está tentando incluir mais produtos básicos para atrair um público mais popular, inclusive moradores da vizinhança. Essa flexibilidade não existe nas franquias”, diz Parente.

O custo de administração de uma franquia também é maior. Para manter uma loja de conveniência da marca BR Mania, da Petrobras, é preciso descontar 4% do faturamento bruto para pagar taxa de royalties mais 2% para taxa de publicidade. No caso da AM PM Mini Market, dos postos Ipiranga, são 6% para royalties e 1% para publicidade. “Como franqueado, existe a vantagem de ter a loja toda montada pela rede, com equipamentos de ponta. Mas o custo operacional é maior”, diz o proprietário de postos de combustíveis, Carlos Rafael Xavier da Silva. Silva possuí dois postos de combustíveis, um em terreno da Esso, onde teve de montar uma loja Stop & Shop, marca pertencente à distribuidora, e outro posto em imóvel próprio, onde preferiu montar uma de
marca própria.

Apesar de crescer ano a ano, o segmento de conveniência não é considerado maduro no Brasil. Só 10% dos cerca de 30 mil postos de combustíveis em funcionamento no País possuem esse tipo de varejo. Nos Estados Unidos e em países europeus, mais de 70% desse estabelecimentos possuem lojas do gênero.

Justamente pela imaturidade do mercado, o coordenador da área de lojas de conveniência do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes (Sindicom), Carlos Vieira de Mello, não acredita que o crescimento das lojas individuais seja tendência. “As lojas individuais vieram na esteira do sucesso das conveniências franqueadas e agora tiveram uma explosão. Mas em mercados mais maduros, as franquias de conveniência é que predominam. Com a maturidade desse segmento no País, esse formato deve crescer mais em número de lojas”, diz Mello, que também responde pelas franquias da BR Mania.

As lojas de conveniência devem ter faturado cerca de R$ 2 bilhões em 2006, segundo estimativa do Sindicom. Em 2005, o segmento havia faturado R$ 1,3 bilhão. “O ganho de renda da população e o
crescimento do setor auto automotivo impulsionam esse varejo”, diz Ricardo Camargo, diretor-executivo da ABF.

Produtos são mais caros

As lojas de conveniência são constantemente caracterizadas como as inimigas do preço baixo. Pesquisa recente divulgada pela Pro Teste mostra que o varejo desse segmento tem preços que chegam a ser 45% maiores em relação aos supermercados mais baratos. Não por acaso, cerca de 80% dos freqüentadores dessas lojas são das classes A ou B, segundo o Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes (Sindicom).

Estima-se que as lojas de conveniência, em geral instaladas em postos de combustíveis e com funcionamento de 24 horas, são freqüentadas por 23% dos brasileiros. Entre os freqüentadores, 16% dizem que visitam mensalmente essas lojas. Pelos dados do Sindicom, 48% dos freqüentadores possuem idade inferior a 48 anos e a faixa etária entre 33 e 46 anos é a que mais vai a lojas desse tipo.

A pesquisa ainda constata que 72% dos freqüentadores desse formato são homens e 28%, mulheres. Entre os jovens, com idade de 16 a 24 anos, 30% costumam ir a lojas de conveniência. Desse total, 32% são rapazes e 28% moças nessa faixa etária, segundo levantamento do Datafolha.