Dignidade, garantia de poder consumir e, principalmente, de sobreviver. Essas são as razões para que os consumidores regularizem sua situação cadastral junto ao Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC). E nos últimos meses, apesar da difícil situação econômica pela qual os brasileiros estão passando, muitos estão deixando o nome limpo.
O aposentado Antônio Pereira da Silva, 58 anos, quer manter o que considera mais precioso na vida: a sua dignidade. “Além de um sobradinho, o nome é a única coisa que tenho”, afirma Silva, que já pagou R$ 1,2 mil da dívida contraída com compras de eletrodomésticos em uma loja. Ele ainda não conseguiu tirar o nome do cadastro de inadimplentes, mas só porque a empresa em questão faliu.
Só a prazo – Outro que precisa ter o nome limpo é o auxiliar de limpeza João de Souza Rodrigues, 26 anos. “Não tenho como comprar à vista, e não dá para sobreviver com o nome desse jeito”, diz ele. João, com uma dívida estimada em mais de R$ 35 mil, foi assaltado em abril de 1999 e só percebeu ter sido vítima de estelionato no último mês de agosto.
Nos últimos quatro anos, seu nome foi utilizado para abertura de contas bancárias, aquisição de carro e realização de financiamentos. Além disso, diversas dívidas foram feitas com cartão de crédito e por meio de crediários de lojas. Agora, João está tentando limpar seu nome.
Dificuldade – A pernambucana Simone Cristina da Silva, de 28 anos, também faz de tudo para manter seu nome limpo. Ela foi à sede do SCPC para regularizar sua situação, pois pretende fazer um empréstimo. “Sem crédito não se vive e com o nome sujo fica mais difícil pegar empréstimo”, exemplifica ela, que é balconista em uma loja de roupas.
Simone lembra que também fica atenta ao pagamento da escola do filho. “Se eu não fizer o pagamento, após 15 dias colocam o meu nome no SCPC”, diz a jovem, que aproveitou a presença da reportagem do Diário do Comércio para elogiar o atendimento do SCPC.
A jornalista Arlete Alcântara regularizou sua situação de olho nas compras de fim do ano. “Não que eu seja muito consumista. Mas fico com a possibilidade de futuramente comprar alguma coisa”, diz.
Cancelamentos – De janeiro a outubro desse ano, o volume total de cancelamentos de registro (2.291.049) registrou crescimento de 7,5% em relação ao mesmo período do ano passado (2.131.312). “O consumidor está controlando mais seus gastos e o comércio está ajudando, não cobrando juros e multas e às vezes dando até descontos para que a quitação dos débitos”, afirma Emílio Alfieri, economista do Instituto Gastão Vidigal, da Associação Comercial de São Paulo. Para Alfieri, a tendência é de que até dezembro essa porcentagem cresça ainda mais, por conta do ingresso do 13º salário na economia.
Adriana David