O consumidor planeja gastar mais neste Natal do que no do ano passado. E isso não apenas por causa da quantidade dos presentes, mas sobretudo pelos preços mais altos. É o que mostra levantamento especial da Fundação Getúlio Vargas (FGV), que usou amostra de 2,1 mil domicílios em sete capitais, usada para cálculo do Índice de Confiança do Consumidor (ICC) de novembro. Embora a elevação do índice tenha perdido força – alta de 1,3% em novembro, ante aumento de 3,5% em outubro –, a intenção de compras do consumidor continua firme, tendo apresentado o melhor nível em mais de dois anos.
O levantamento foi realizado entre os dias 1 e 21 deste mês. De acordo com o coordenador de Sondagens Conjunturais da FGV, Aluísio Campelo, o ICC subiu menos por causa de um recuo nas expectativas do consumidor para os próximos seis meses. Esse indicador é dividido em dois: o Índice de Situação Atual, que subiu 4,3% em novembro, em comparação com a elevação de 1,8% em outubro; e o Índice de Expectativas, que teve queda de 0,2% em novembro, ante elevação de 4,3% em outubro.
Segundo ele, mesmo com a ótima avaliação em relação à economia, o brasileiro ainda se preocupa com a sustentabilidade do crescimento econômico, principalmente com os rumos da inflação e do mercado de trabalho.
Entretanto, isso não diminuiu a disposição do consumidor de gastar mais neste Natal: de 2006 para 2007 subiu de 11,1% para 15% o percentual daqueles que planejam gastos maiores. No mesmo período, caiu de 32% para 25,8% a parcela de consumidores que planejam gastar menos. Além disso, o preço médio do presente de Natal para este ano ficou em R$ 58, ou 12,4% acima do registrado no ano passado (R$ 51,6). “O consumidor parece estar propenso a gastar mais. Se realmente essas projeções se confirmarem, o comércio pode esperar um faturamento mais elevado neste ano”, disse Campelo.
No ICC, subiu de 18,4% para 20,5%, de outubro para novembro, o percentual de entrevistados que pretende elevar a quantidade de compras de bens duráveis nos próximos seis meses. No mesmo período, caiu de 26% para 23,7% a parcela dos que pretendem comprar menos bens duráveis.