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Congelados ocupam mais espaço nas gôndolas

Guarulhos, 15 de junho de 2005

As vendas de congelados nos supermercados estão em expansão de até 25% este ano. Em São Paulo, por exemplo, a participação desses produtos na receita do setor, que há cinco anos ficava em torno de 1%, está na casa dos 3% e deve chegar aos 5% nos próximos cinco anos, informa a Associação Paulista de Supermercados (Apas). A mudança de hábito do consumidor, que busca praticidade acima de tudo, é a principal razão do crescimento das vendas desses itens. Essa mudança é, conforme os supermercadistas, fruto da cada vez mais numerosa presença da mulher no mercado de trabalho. Contudo, os sucessivos lançamentos da indústria do setor e também dos fabricantes de gôndolas colaboram com as vendas e permitem que as vendas cresçam através dos mais diversos modelos de supermercados (ver box).

Os supermercados faturaram R$ 97,7 bilhões em 2004 em todo o País e, apenas no Estado de São Paulo, perto de R$ 40 bilhões. O crescimento nas vendas desses produtos se dá entre as redes de grande porte e as de pequeno. O Grupo Pão de Açúcar, maior corporação do setor, projeta elevar em 25% as vendas de congelados este ano. Em 2004, o faturamento com esses produtos cresceu 17% sobre 2003. O grupo informa, com base em números da ACNielsen, que esse mercado, no País, cresceu 6,5% em 2004. O Wal-Mart, terceira maior rede de hipermercados do Brasil, projeta expandir suas vendas de congelados em 20% em 2005.

O Sonae informa que este ano a rede deve elevar em 10% suas vendas nessa categoria, embora acumule incremento de 14% nos cinco primeiros meses de 2005. No ano passado, a rede cresceu 15%. A expansão de vendas também é forte entre os associados das centrais de compras dos pequenos supermercados. A central de negócios de pequenos supermercados Rede Show, do Espírito Santo, por sua vez, também prevê crescimento nas vendas de congelados este ano, em torno de 25%, ante os 40% em 2004.

Andréa Pires, diretora de produtos do Wal-Mart, reitera a afirmação de que os congelados ampliam suas vendas gradativamente porque o comportamento do consumidor mudou muito nos últimos anos. “Os pratos prontos e semiprontos são a solução mais prática hoje em dia, para a mulher que trabalha e não tem tempo para cozinhar e mesmo para pessoas que moram sozinhas”, informa.

De acordo com Sussumu Honda, presidente da Apas, as vendas de itens congelados devem chegar a 5% da receita das lojas do setor até 2010. Hoje, o faturamento desses produtos representa por volta de 3% das vendas dos supermercados. Para o presidente da Apas, este mercado pode não crescer em ritmo expressivo, mas o incremento deve se dar independentemente de turbulências econômicas. “Trata-se de uma mudança de hábito sem retorno. A mulher já incorporou essa nova mentalidade”, diz.

Porém, nas 59 lojas da central de compra capixaba Rede Show, que faturou R$ 250 milhões em 2004, os congelados são responsáveis por 4% a 5% desse total e devem chegar a 7% até 2010. “Em 2004, a venda de congelados cresceu 40%, ante 30% das vendas totais da rede”, diz João Francisco de Pinedo Kasper, superintendente da central. Para esse ano, ele prevê incremento de 25%. “Isso porque as vendas da rede de um modo geral não terão a mesma expansão do ano passado, e ficarão em torno de 15%. Vivemos um momento econômico menos otimista que em 2004”, comenta.

Conforme Pinedo, os associados têm investido bastante na reforma de lojas, especialmente na área de congelados. “Por volta de 20 lojas deverão passar por reforma este ano. Em 2004, cerca de 10 lojas foram reformadas. Uma ampliação da área de congelados costuma mexer com toda a infra-estrutura da loja e seu custo gira entre R$ 150 mil e 250 mil”, conta.

Segundo ele, há cinco anos os congelados não tinham mais de 2% ou 3% da área da loja de vizinhança; hoje já chegam a 10% em alguns casos. Honda reitera a afirmação. “De cinco anos para cá, os congelados dobraram a sua área nos supermercados: passaram de 5% para 10%”, diz. Entre as grandes redes, a área dos congelados realmente chegou a mais que o dobro de tamanho nos últimos quatro anos; ao menos esse é o caso do Wal-Mart. No Sonae, a expansão na área chegou a 50% entre alguns supermercados da rede e foi de em média 7% entre os hipermercados.

“A tendência é de crescimento físico. Ainda há muito que explorar nesse segmento, mesmo porque existem várias marcas novas entrando no mercado”, diz Andréa Pires.

Entre os itens mais vendidos, a pizza vem na primeira posição entre as lojas do Sonae, com 24% de participação. No Wal-Mart, se destacam as lasanhas, pães de queijo, pizzas e batatas prontas para fritar ou assar, conta Andréa Pires. Na Rede Show, os itens mais vendidos são os pedaços de carne de porco e frango.

Honda diz que os congelados já ocupam 10% da área de vendas das lojas paulistas.

Wagner Hilário