ACE-Guarulhos

Conflitos marcam audiência do transporte público na Câmara

A audiência pública ocorrida na tarde de segunda-feira, 27, no plenário da Câmara Municipal foi marcada por uma discussão entre membros da diretoria do Sindicato dos Condutores de Veículos Rodoviários de Guarulhos (Sincoverg).

A sessão já havia iniciado quando simpatizantes da chapa de Maurício Brinquinho foram hostilizados por integrantes da diretoria dirigida por Claudemir dos Santos, alegando serem os representantes por direito, inclusive com uma ata registrada em cartório que lhes garantia o direito de representar a categoria. A audiência foi interrompida até que os ânimos se acalmassem. A principal reivindicação dos trabalhadores do transporte é o fim da dupla função.

Na ocasião, a sessão presidida pelo vereador Edmilson Sarlos Americano (PHS), que é presidente da Comissão de Transportes e Trânsito do Legislativo, contou com a presença do secretário adjunto da Secretaria de Transportes e Trânsito (STT) Celso Massom, do presidente da Câmara Alan Neto (PSC), de estudantes e integrantes do Comitê de Luta do Transporte Público R$ 2,50 Não Dá, do representante da Guarupas Hugo Mesquisa, entre outras autoridades.

O representante do comitê Thiago Moreira propôs a isenção de tarifas aos desempregados e estudantes, além de questionar o direito de ir e vir. “O direito de circular não deve ser cobrado, deve ser concedido. O dinheiro arrecadado com os radares não pode ser usado para subsidiar o transporte dos estudantes?”, questionou.

Os estudantes manifestaram a necessidade da realização de uma auditoria por uma organização idônea para justificar o aumento considerado excessivo das passagens na gestão Elói Pieta. “O sistema de transporte público é gerido por empresas privadas, não por quem anda, e a população não é consultada”, reclamou.

Guarupas – Quando o representante da Guarupas Hugo Mesquita subiu à tribuna foi vaiado pelos estudantes e membros do Sincoverg. Ele justificou o alto custo da passagem devido à falta de subsídio da Prefeitura e das gratuidades que atingem 23% dos passageiros. “Em São Paulo, a prefeitura paga R$ 1,1 bilhão de subsídio. Assim, quem paga as gratuidades é o trabalhador”, justificou. Mesquita finalizou o discurso falando sobre o Fundo Municipal do Transporte.

“O Fundo já foi declarado inconstitucional em cidades como Diadema. É constituído de 1,5% de arrecadação bruta das empresas de ônibus mais 5% do vale-transporte das vans. É comprovado que as empresas já pagam imposto igual que é o Imposto Sobre Serviço”, enfatizou.

Em outra das diversas interrupções da sessão, o vereador Rômulo Ornelas (PT) discutiu com estudantes presentes. A vereadora Helena Sena (PSC) foi interrompida pelos estudantes e os membros da mesa negociaram que parlamentares cederiam sua vez aos demais presentes, fato não aceito por Rômulo, que manifestou sua opinião sob protesto dos estudantes que se mantiveram de costas durante o discurso.

O presidente da Câmara Alan Neto (PSC) comentou sobre a importância das audiências públicas. “Isso é um termômetro para podermos tomar o rumo correto e mostra a importância das comissões, discutindo com todos os representantes da população”.

Questionado sobre o que sairia de prático da reunião, o integrante do Comitê Eduardo Freitas ressaltou a luta. “O que sai de concreto é o que a luta dos trabalhadores constrói. Tem vários projetos colocados em pauta na Câmara, é só debater de forma sincera, correta e para fazer isso, somente com essa pressão popular”, afirmou o representante do comitê.

No término da audiência, que teve o apoio de homens da Guarda Civil Municipal (GCM), os integrantes do fariam uma manifestação partindo do plenário da Câmara até a Igreja da Matriz, no Centro.

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