Comércio pode perder primeiro semestre
Os resultados das vendas no mês de maio indicam que o varejo pode fechar o primeiro semestre com um resultado ainda pior que o do ano passado. Os indicadores do Instituto de Economia Gastão Vidigal, da Associação Comercial de São Paulo, ACSP, mostraram que, no mês passado, as consultas ao Serviço Central de Proteção ao Crédito, SCPC, que refletem as vendas a prazo, caíram 5,3% em relação ao mesmo período de 2002. Já nas chamadas ao Use Cheque, que indicam vendas a vista, a queda foi de 4,1% na mesma comparação.
De janeiro a maio, o SCPC e o UseCheque acumulam saldos negativos de, respectivamente, 3,7% e 1%. “Com esses resultados, o primeiro semestre já pode ser considerado perdido para o varejo”, afirma Guilherme Afif Domingos, presidente da ACSP e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo, Facesp.
Segundo Afif, os resultados divulgados pelo Instituto, porém, já eram esperados. Isso porque, mesmo com o forte apelo do Dia das Mães para incentivar o consumo, o cenário macroeconômico se manteve inalterado. Fatores como a manutenção da elevada taxa de juros, a queda da renda real e o aumento do desemprego impedem a retomada do crescimento da economia, avaliou.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, IBGE, confirmam a queda nas vendas reais do comércio. De acordo com o instituto, só no mês de março a retração chegou a 11,3%. Depoimentos setoriais na área de varejo, colhidos pelo Comitê de Avaliação de Conjuntura da ACSP, revelam que o número de negócios precisaria crescer 13% para empatar com o faturamento obtido no passado. No segmento de móveis, por exemplo, a redução nas vendas foi de 30% em março e de 27% em abril, em relação aos mesmos meses de 2002.
Já na indústria em geral, as estimativas do Comitê são de que as quedas na produção atinjam 1,1% no primeiro trimestre deste ano, na comparação com os últimos três meses do ano passado.
Faltam sinais positivos – Para os analistas, uma recuperação neste ano só seria possível com uma redução da taxa básica de juros, a Selic, ainda neste mês de junho. Segundo Guilherme Afif, a sinalização de queda nos juros ou nos recolhimentos compulsórios dos bancos são essenciais para que o varejo possa reverter a trajetória negativa dos últimos meses.
Com a mesma opinião, o economista do Instituto Gastão Vidigal, Emílio Alfieri, lembra que essa queda na Selic não precisaria, necessariamente, ser grande. “Qualquer redução é positiva desde que ela seja constante. O mais importante é a tendência de continuidade de baixa”, diz.
Para Alfieri, junho é a última oportunidade para que essa redução se inicie a tempo de “salvar” o segundo semestre. Isso porque, em julho e agosto, os reajustes de tarifas públicas devem interferir nos índices inflacionários. “Uma nova oportunidade para o Banco Central começar a mexer na Selic só viria novamente em setembro.”
Só se o inverno ajudar – Se a política econômica do governo não colabora, os varejistas são obrigados a depender de outros fatores para tentar minimizar suas perdas. Neste mês, a aposta é o apelo do Dia dos Namorados, em 12 de junho, associado à chegada de temperaturas mais baixas.
“Estamos dependendo de comemorações esporádicas e do clima”, afirma Ruy Nazarian, presidente do Sindicato dos Lojistas. “Esperamos que o inverno venha para valer e o frio nos ajude a aquecer as vendas”, conclui.







