Em maio, nas cidades de Santa Fé do Sul, Fernandópolis, Votuporanga, Jales, Mirassol e São José do Rio Preto, região Noroeste do Estado de São Paulo, 60 mil estabelecimentos receberam mais de 100 mil cheques sem fundos. O fato gerou movimento dos empresários junto às redes bancárias locais, numa ação coordenada pelos sindicatos do comércio varejista das cidades e empresários das associações comerciais, para tentar sustar os altos níveis de inadimplência. “Fizemos um levantamento em todas essas cidades e, apenas em um mês, o nosso prejuízo atingiu R$ 20 milhões”. A afirmação é de Onorio Norio Kobayashi, presidente do sindicato do comércio varejista de Santa Fé do Sul.
Na opinião do economista Marcel Solimeo, da Associação Comercial do Estado de São Paulo (ACSP), o movimento é válido, pois a inadimplência “realmente é um transtorno enorme para o comércio”.
Ele frisa que em reunião recente com a diretoria da ACSP o próprio diretor de normas do Banco Central (BC), Sergio Darcy, reconheceu que os bancos devem ter critérios mais rígidos para concessão de talões de cheques e abertura de contas de seus clientes. “É esta liberalidade exagerada na abertura da conta, que aceita às vezes até a apresentação de documentos falsos, que tem gerado esse acúmulo de cheques sem fundos”, diz Solimeo.
Para ele, movimentos em cidades menores, onde todo mundo se conhece, pode reforçar soluções do BC. Segundo estudo dos comerciantes da região Noroeste do estado paulista, 45% do total dos estabelecimentos vêm enfrentando o problema da inadimplência há bastante tempo, mas por causa dos problemas conjunturais, como as elevadas taxas de juros, a queda da massa salarial e o desemprego, a questão se tornou crítica, “tendo aumentado em níveis insuportáveis”. O presidente do sindicato acredita ser inadmissível este alto volume de cheques sem fundos, “pois grande parte da nossa receita está sendo corroída pela inadimplência”.
Kobayashi disse que, em virtude do.problema ter se agravado, os comerciantes de todas estas cidades resolveram partir para a ação: fizeram passeatas locais e visitas a todos os gerentes de bancos. Apenas em Santa Fé do Sul, 800 comerciantes participaram das manifestações. “Embora de caráter pacífico, o nosso pleito junto aos bancos foi feito, de forma firme e enérgica. Queremos que assumam o seu grau de responsabilidade sobre os cheques sem fundos, pois eles têm meios de aferir melhor o seu cadastro dos clientes”.
Na opinião de Kobayashi, os bancos estão concedendo talões aleatoriamente, sem maiores verificações das informações sobre o cliente.
No encontro, foi solicitado que os bancos façam consultas ao Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) e à Serasa, antes de autorizar a abertura de novas contas e concessão de talões. “Pedimos que haja compensação imediata de cheques até R$ 100, eliminação das filas nas agências, redução das tarifas bancárias e ampliação do horário de atendimento que, nas nossas cidades, se encerra às 15 horas”.
Outras cidades devem aderir ao movimento, já tendo havido contactos com os sindicatos das cidades de Ilha Solteira, Andradina, Pereira Barreto, Araçatuba. “O problema nesta região é semelhante ao nosso, por isso os representantes dos sindicatos locais também querem fazer uma ação direta junto aos bancos, numa tentativa de solucionarem o problema”.
Celia Moreira