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CMN tem nesta terça reunião decisiva sobre metas de inflação

O Conselho Monetário Nacional (CMN) se reúne nesta terça-feira (24) para discutir vários temas: medidas para flexibilizar e estimular o microcrédito, a queda do compulsório bancário e a meta de inflação da economia brasileira para 2005. Mas a grande questão que inquieta o mercado é a meta do ano que vem: o CMN pode aproveitar a oportunidade e alterar o índice previsto para 2004, estabelecido em 3,75% pelo Conselho e ajustado pelo Banco Central para 5,5%. O que está em jogo, avaliam especialistas, é a credibilidade do BC, que embora esteja se esforçado para recuperá-la, ainda conta com um passado de dois anos de descumprimento das metas (ou três, se a deste ano não for cumprida). Os analistas divergem sobre a forma mais adequada para que seja preservada a imagem do BC. Há quem diga que a consolidação da credibilidade do órgão só se dará com a manutenção da meta em 5,5% em 2004. Outros acreditam que o objetivo só será alcançado com a elevação do percentual.

– A escolha do CMN é mais política do que técnica, ao contrário das decisões do Copom. Por isso é tão difícil de se prever o que vai acontecer – diz o economista Caio Megale.

O especialista acredita que a melhor escolha seria o CMN deixar tudo como está e o BC continuar perseguindo a meta ajustada de 5,5%, ou o CMN elevar sua meta, de 3,75% para 5,5%, seguindo a orientação do BC. Caso contrário, afirma, a credibilidade do Copom e do sistema de metas de inflação seriam abalados.

Octavio Vaz, também avalia que a meta deve ficar em 5,5%. Segundo ele, uma meta maior poderia acabar estimulando reajustes de preços.

– Por causa dos descumprimentos das metas nos últimos dois anos, o mercado trabalha com projeções por volta de 7,5%, apesar de a inflação projetada para o ano que vem já estar dentro da meta (5,5%). O mercado embute um prêmio já considerando que a meta possa ser flexibilizada – disse Vaz acrescentando que, dessa forma, o CMN vai estar fazendo com que a meta suba e se aproxime das expectativas de inflação, em vez de fazê-las cair e convergir para a meta.

Salomão Quadros, coordenador dos índices de preços da Fundação Getúlio Vargas (FGV), é um dos que dão sinais de que a meta deveria ficar acima de 5,5%. Ele diz que “não é fácil cumprir a meta ajustada de 5,5%” estipulada pelo BC para o ano que vem. O economista explica que, quando a inflação cai ao patamar de 6% a 7%, “começa a ficar mais difícil” derrubá-la. Ele considera que o descrédito pode aumentar se a meta for mantida, e acredita que a elevação entre 0,5 e 1 ponto percentual pode ser encarada positivamente como uma “adequação”.

– Uma meta de inflação reduzida força uma taxa de juros muito elevada. A meta do ano que vem é um pouco baixa. Acredito que eles não vão mexer nela, mas se ficasse entre 7% e 8% a meta seria alcançada com facilidade, deixando de pressionar tanto as taxas de juros – afirma Luiz Carlos Prado, professor da UFRJ.

Quanto à meta para 2005, a divergência é menor. A maior parte dos analistas acredita que o número deve rondar 5,5% ou ficar ligeiramente abaixo disso.

A maioria dos especialistas afirma que a meta de 2003 deve ser mantida apesar de bastante baixa. De acordo com o economista da ARX Capital Management, Alexandre Sant?Anna, “é indiferente mexer na meta deste ano porque o Banco Central já deixou claro que não está perseguindo o cumprimento dela até o fim do ano, mas em um período maior – disse .

– O IPCA já acumula alta de 6,8% e a inflação teria que subir em média 0,23%, 0,24% nos próximos meses até o fim do ano para que a meta ajustada de 8,5% fosse atingida. Mas o BC não perderia credibilidade ao elevar o número, que poderia ir para 9,5% ou 10% – diz o economista-chefe da Global Invest, Marcelo de Ávila.

Sabrina Valle

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