Movimento já beneficiou um total de 100 mil aprendizes, entre 14 e 18 anos, somente em São Paulo
Os rostos são típicos de adolescentes. Mas, além das acnes e do sorriso fácil, os jovens do Movimento Degrau carregam também responsabilidade e esperança. O programa, que completou ontem cinco anos e teve direito a Parabéns a Você e bolo na Associação Comercial de São Paulo (ACSP), já beneficiou 100 mil aprendizes de 14 a 18 anos em São Paulo.
Segundo o presidente da Confederação das Associações Comerciais do Brasil (CACB) e futuro presidente da ACSP, Alencar Burti, o nome do projeto é bastante apropriado. “É a partir de pequenas coisas que se constrói uma grande vida. De degrau em degrau”, disse Burti aos adolescentes.
O mais jovem participante do Degrau tem 14 anos. Trabalhando há um mês, Robson Ferreira Borges é responsável por distribuir documentos em todo o prédio da ACSP, no Centro. Subindo e descendo pelos elevadores da associação, das 9h às 15h, ele sabe da importância de seu trabalho e reconhece que essa é a primeira grande chance de realizar seus sonhos.
Mesmo sem saber ao certo quais são eles, Robson não descarta a possibilidade de, quem sabe um dia, se tornar até mesmo presidente da própria ACSP que está lhe dando a primeira oportunidade profissional. Burti se anima com a notícia. “É necessário sonhar alto e manter os pés no chão. Além disso, se esforçar muito, porque nada acontece sem sacrifícios”, aconselhou Burti.
Criação – O Degrau foi criado em 2002 pela Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp), Rede Brasileira de Entidades Assistenciais Filantrópicas (Rebraf) e Associação Comercial de São Paulo (ACSP) para colocar em prática a Lei do Aprendiz (nº10.097), de 2000. Vários jovens já se beneficiaram e outros continuam se beneficiando.
Everton Campos Souza, tem 19 anos e cursa o primeiro período de Psicologia em uma das melhores faculdades particulares de São Paulo, segundo a última avaliação do MEC. Ele entrou na ACSP há dois anos. Trabalhou pelo projeto por mais de um ano, depois nove meses como office boy e hoje é auxiliar de escritório.
“Eu tenho capacidade, mas a associação me deu a chance de entrar na faculdade, pois paga boa parte da mensalidade”, afirmou. Souza destacou ainda outras vantagens de ser um aprendiz na ACSP. “Temos treinamento especial, cesta básica, plano de saúde, aumento de salário e até participação nos resultados”, enumerou.
A Lei do Aprendiz regulariza o trabalho de adolescentes de 14 a 18 anos incompletos. O objetivo é qualificar os jovens e promover a inclusão dos que vivem em situações de risco social. As empresas pagam um salário mínimo, proporcional às horas trabalhadas, e 5% dos encargos sociais. Condições estimulantes que reduzem o custo da contratação.