As chuvas que começaram a cair na noite de segunda-feira e persistiram durante todo o dia de ontem colocaram a Defesa Civil em estado de atenção, em razão do agravamento dos riscos de deslizamento de encostas, alagamentos e enchentes.
O Laboratório de Meteorologia da Universidade Guarulhos (UnG) registrou 80,3 milímetros de chuva das 16h de segunda-feira até as 16h de ontem. “É um valor importante, porque no mês de janeiro todo choveu 274 milímetros”, diz Alexandre Coutinho, professor e técnico do laboratório.
O secretário de Governo, Artur Cunha, afirma que, em situações de chuvas contínuas, algumas áreas devem ser monitoradas com maior cuidado, como a Zona Norte, que apresenta grande número de loteamentos em morros e regiões ribeirinhas. “O Recreio São Jorge, Cabuçu, Sítio dos Morros, Cocaia, e algumas regiões do Taboão e do Jardim Primavera são bastante complicadas”, relaciona.
Segundo o secretário, no Jardim Santa Emília, também na Zona Norte, a Defesa Civil atendeu a uma ocorrência de deslizamento de terra, que provocou o desabamento de um barraco. “Não houve feridos e a família já está instalada”, afirma.
As chuvas também aumentam os riscos de deslizamento na Favela São Rafael, na região do Itapegica, Zona Oeste.
No início da tarde de ontem, a avenida Jamil João Zarif, ao lado do rio Baquirivu, já estava alagada, complicando o trânsito local. Os pedestres e usuários do sistema de transporte coletivo sofriam com as chuvas e com as águas empoçadas nas vias. “Estou aqui há cinco minutos e já tomei dois banhos”, disse o ajudante-geral Josué Pedro dos Santos Souza.
Os moradores da região afirmam que as chuvas constantes provocam mais danos do que as torrenciais, em razão do transbordamento do rio e da impossibilidade de drenagem. A recomendação da Defesa Civil para a população dessa e das demais áreas de risco é ficar atenta e a qualquer indício de deslizamento ou enchente sair do imóvel e chamar o órgão.
Trânsito – As chuvas também trouxeram problemas para o trânsito da cidade. Na Via Dutra foi registrado um congestionamento de sete quilômetros – entre os quilômetros 217 e 224. “Quem não tiver necessidade urgente, deve evitar sair de casa, porque dias chuvosos provocam não só alagamentos, como congestionamento no trânsito”, diz Cunha.
Já os pedestres tiveram dificuldades em andar no calçadão da D. Pedro II, no Centro.