Instituição presta atendimento a 1.430 portadores de deficiência mental e familiares de Guarulhos e outras cidades do Estado…
Pela terceira vez, as Casas André Luiz recebem o Prêmio Bem Eficiente. Promovido pela Kanitz & Associados, o prêmio que está na sua 9ª edição, destaca, todos os anos, as 50 entidades beneficentes mais bem administradas do País. A premiação aconteceu na terça-feira, 3, às 19h, na Sala São Paulo, da Estação Júlio Prestes, em São Paulo.
O Centro Espírita Nosso Lar Casas André Luiz é uma entidade de caráter religioso e filantrópico que atende cerca de 1.430 pessoas de 7 a 50 anos de idade, portadores de deficiência mental (associada ou não a deficiências físicas e sensoriais) e familiares. Concorreu ao prêmio entre 350 entidades, analisadas por 42 critérios segundo padrões internacionais na área de beneficências.
Para a diretora-secretária das Casas André Luiz, Clélia Borin, o prêmio amplia a visibilidade da instituição às empresas e atendidos: “Esse prêmio mostra nosso trabalho e reforça nossa credibilidade junto aos parceiros e famílias”, afirma.
ABRANGÊNCIA – As Casas André Luiz tiveram sua fundação em 1949. A princípio dedicava-se exclusivamente ao amparo de crianças portadoras de deficiência mental, abrindo as portas a 15 crianças. Atualmente, atende 630 pessoas em regime de internato na Unidade de Longa Permanência, no Picanço, e mais de 800 pacientes no ambulatório, na vila Galvão. Possui também sete unidades do Mercatudo (móveis e eletrodomésticos) e um Bazar Permanente (roupas, calçados, produtos de informática), onde são comercializados itens doados a preços acessíveis. Trabalham na instituição 1.690 funcionários, entre médicos, técnicos, serviço de apoio, administrativo e mais de 2.000 voluntários.
Um complexo de quatro prédios e grande área verde constitui a Unidade de Longa Permanência. Lá, os pacientes, a maioria entre 30 e 45 anos de idade, recebem atendimento nas áreas de saúde (todas as especialidades médicas e técnicas), educação infantil e brinquedoteca, cultura (Cia. de Dança e coreoterapia, passeios), e projetos sociais (apoio a gestantes carentes e doação de medicamentos à comunidade de funcionários).
CIÊNCIA E RELIGIÃO – Nessa unidade, também se desenvolvem atividades voltadas para a espiritualidade, como energização e leitura e comentários sobre os livros de Allan Kardec (codificador da Doutrina Espírita). “O uso de práticas espirituais apresenta resultados positivos na evolução clínica e comportamental dos pacientes, segundo tese do dr. Frederico Leão, diretor técnico da instituição, aprovada em agosto de 2004 pelo Departamento da Universidade de São Paulo (USP)”, informa a diretora.
Programa de adoção: um gesto de amor transforma os padrinhos
Grande parte dos internados na Unidade de Longa Permanência foi deixada pelos familiares que, em geral, não assumem a responsabilidade sobre o paciente.
É o caso de Alexandre Rafael, trazido pela mãe no ano de 1982. Mas graças ao programa “Apadrinhamento”, criado há 11 anos, ele foi adotado em maio de 2000. O padrinho, Francisco Carlos Fávero, mostra anotações da esposa Waldirene: “Ele foi trazido na cadeira de rodas, todo encolhido, de olhos fechados e babando muito”, enquanto descreve o primeiro encontro: “Perguntamos a ele: como vai? E o médico disse: “ele não fala”; tentamos dizer o que sentíamos. E o médico disse: “ele não ouve”; tentamos expressar em gestos nossa alegria: “ele não enxerga”; tentamos animá-lo para uma volta: “ele não anda”.
Foi um choque, relata Fávero, emocionado. “Aparentemente, não há o que se fazer. Tivemos que trabalhar a necessidade de ver o corpo perfeito. Buscamos respostas e entendemos que o Alexandre é um filho espiritual que veio para nos reeducar”, explica. Para ele, a adoção foi um grande aprendizado: “O Alexandre me tranformou em uma pessoa melhor, especialmente para minha família”.
FILA DE ESPERA – Existem cerca de 50 pacientes à espera de uma adoção. Para tornar-se madrinha ou padrinho, a pessoa passa por uma triagem. Uma das poucos exigências é disponibilidade de visita uma vez por mês.
Entidade tem programa de inclusão
As Casas André Luiz têm ações voltadas para a inclusão de jovens-adultos com pouco comprometimento intelectual e com maturidade socioemocional no mercado de trabalho, como o Programa de Orientação e Habilitação Profissional (PROHAP) que, em dois anos de existência, no Ambulatório, incluiu 4, dos 13 portadores em condições de atuar no mercado de trabalho. Assistidos na Unidade de Longa Permanência também são absorvidos para trabalhar na unidade, como motoboys, auxiliar de almoxarifado, auxiliar de bazar, de padeiro etc.
SUSTENTABILIDADE – O gasto mensal das Casas André Luiz é de R$ 4 milhões/mês, sendo que apenas 1/3 do total é coberto pelo SUS e o restante, por meio de arrecadação. “Em alguns meses, o déficit chega a 15%, daí a importância dos parceiros da instituição, que na maioria são pessoas físicas (através do telemarketing) e sócios contribuintes”, afirma Clélia. A instituição tem necessidade urgente de providenciar reformas estruturais nas unidades de internação 3 e 4, para adequar-se a exigências da Vigilância Sanitária. “Os empresários que nos apóiam tem visibilidade junto à instituição”, garante Clélia. Entre os parceiros da entidade, Clélia cita a Drogaria Onofre, Votorantin, Camisa do Brasil (Fórum) e Abad (Associação Brasileira de Distribuidores de Produtos Industrializados).
SERVIÇO – Casas André Luiz – Unidade de Longa Permanência, avenida André Luiz, 723, Picanço, Tel.: 6457-4312; Ambulatório, rua Vicente Melro, 349, vila Galvão, Tel.: 3252-4033; Mercatudo e Bazar Permanente, Tel.: 0800 7734066; site: http://www.andreluiz.org.br
Ambulatório: o investimento na vida que vale um sorriso
O ambulatório das Casas André Luiz funciona na vila Galvão há 15 anos, e atende pessoas de Guarulhos, Grande São Paulo e outros municípios, a maioria entre 0 a 35 anos de idade. Uma equipe de 17 técnicos, 18 auxiliares e oito voluntários é responsável pelo atendimento terapêutico para reabilitação como fisioterapia, fonoaudiologia e psicologia, e, pelo atendimento médico em todas as especialidades, como neurologia, psiquiatria, homeopatia, acupuntura e odontologia. “Os voluntários são fundamentais na absorção da demanda diária”, destaca Silvia Cristina Marra, fonoaudióloga do ambulatório.
Vitor tem 10 anos de idade, e convive com a “tia Silvia” desde os seis meses de vida. Portador da Síndrome de Donw, Vitor é uma criança especial que não andava nem sentava, conta a mãe Deise Dina da Cruz Pereira, do Jardim Tremembé (SP). “Logo que iniciou os tratamentos no ambulatório, começou a andar”, relata Deise, que fala da importância do diálogo e destaca o trabalho do CITI e o apoio dos psicólogos aos familiares: “Eu converso muito com o Vitor, explico como as coisas são e, ao mesmo tempo, o circo terapêutico faz acontecer a convivência dele em grupo. Às vezes é difícil ter o autocontrole da minha expectativa sobre o desenvolvimento do Vitor, mas aprendi aqui a perceber o quanto ele ganhou nesses anos. Hoje um sorriso do meu filho tem grande valor para mim”. M.P.
Marisa Pulsone