A crise financeira mundial que para o Governo Lula chegaria ao país na forma de uma “marolinha” parece que chegou como um tsunami, exemplo disto foi à queda de 3,6% do Produto Interno Bruto (PIB) no último trimestre de 2008. Em Guarulhos, mais especificamente o Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC), é mais uma vítima dos reflexos causados pela crise. O principal serviço da Associação Comercial e Empresarial de Guarulhos (ACE) fechou o mês de fevereiro em forte queda.
Marcel Solimeo, economista do Instituto Gastão Vidigal
O SCPC/Cheque – termômetro que mede às vendas à vista – registrou queda de 36,34% em relação a fevereiro do ano passado. Em fevereiro deste ano, o serviço apresentou mais de 26 mil consultas, contra mais de 40.800 registradas em fevereiro de 2008.
O SCPC – termômetro que mede às vendas a prazo – contabilizou queda de 34,44%. O serviço registrou no segundo mês de 2009 mais de 41.200, contra 62.870 em 2008.
Quando o assunto é o registro de débitos, os números também não são animadores. O SCPC/Registro de Débitos apresentou queda de 5,15%. Já o número de regularizados também caiu. O serviço registrou queda de 12,83%.
Para o economista do Instituto Gastão Vidigal – da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) –, Marcel Solimeo, a queda nos índices está estritamente ligada com a crise financeira. Ele explica que o crédito está mais difícil, já que muitas lojas estão diminuindo o número de parcelas oferecidas ao consumidor.
Solimeo disse ainda que o consumidor está mais cauteloso na hora de contrair dívidas, sobretudo com por conta das notícias referentes ao fantasma do desemprego. O economista garante que o carnaval foi outro empecilho para a reação do SCPC, já que este ano a folia foi comemorada no final de fevereiro e em 2008 a principal festa do país foi no início do mês. “Sabemos que o país só volta a funcionar depois do carnaval”, completou.
Entretanto, o economista da ACSP prevê que os índices devem recuper o fôlego em março. “Os números devem melhorar em março, mas nada se comparado ao ritmo que o serviço apresentava até setembro do ano passado”, disse.
Temendo que o país entre em recessão, o presidente da ACE-Guarulhos, Wilson Lourenço, espera que o Banco Central reduza a taxa de juros. “A esperança é que a equipe econômica seja menos tímida na hora de cortar os juros, a expectativa é que o corte fique entre 1% a 1,5% pois, a retração do PIB mostra que diferentemente do que o governo pensava o Brasil não está imune a crise”, disse.