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Brasil parado. Custo é de US$ 480 milhões por dia

Guarulhos, 07 de julho de 2003

arteUm prejuízo de US$ 480 milhões para a balança comercial brasileira por dia. Esse é o valor médio que deixará de ser movimentado a partir desta terça-feira, 08, por conta da greve dos auditores fiscais da Secretaria da Receita Federal em todo o País. Mais do que a cifra milionária que interferirá nas contas públicas, a paralisação trará perdas para a indústria em geral, exportadores, importadores, transportadoras, transitários, embarcadores, despachantes, e para todos os brasileiros, consumidores ou não.

Pode não parecer à primeira vista, mas a greve afeta diretamente todo o esforço que vem sendo feito para melhorar nosso comércio internacional e, por conseqüência, a economia do País como um todo. Isso porque, se as empresas brasileiras não conseguem cumprir seus compromissos no exterior (já que as mercadorias ficam retidas na alfândega), têm de pagar multas contratuais, deságios, arcam com o cancelamento de encomendas e correm sérios riscos de perder seus clientes. Conseqüência: ficam em dificuldades, são obrigadas a demitir funcionários e a situação de retração da economia brasileira se agrava.

“Acrescente-se aí a perda cambial e a perda de credibilidade do País, no momento em que o presidente da República se empenha, pessoalmente, em criar imagem positiva externa”, ressaltou o presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), Benedicto Fonseca Moreira, em correspondência encaminhada ao secretário da Receita Federal, José Antônio Deher Rachid.

Da mesma forma, os prejuízos são igualmente graves com relação à importação. De acordo com o presidente da AEB, as mercadorias que não entrarão em território nacional poderão ocasionar desabastecimento da indústria ou de setores, “agravando o quadro excessivo interno e o nível de emprego”.

Contrasenso – Para o gerente de Comércio Exterior da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Sidnei Docal, a greve dos funcionários da Receita Federal é uma queda de braço para medir forças com o governo, por motivo corporativista, sem nenhuma preocupação com as divisas do País. “Chega a ser uma manifestação antipatriótica, pois, afora o possível lucro para a empresa, estamos tratando de internação de divisas e geração de empregos”, afirma.

Docal acredita que a paralisação mostra a enorme falta de sintonia entre os grevistas e o resto dos brasileiros. “É um tremendo contrasenso. Quando toda a nação, presidentes, ministros, empresários e, pode-se dizer, até o povo, entenderam a necessidade de se exportar para gerar empregos, divisas e ajudar no crescimento da economia, uma categoria, que possui um tremendo poder, em todas as esferas pode boicotar todo esse esforço de anos.”

Imagem internacional – O gerente de Comércio Exterior da ACSP acredita que, mais grave que os prejuízos que podem ser mensurados monetariamente, são as perdas com a imagem do Brasil, que não podem ser medidas. O principal motivo é a enorme dificuldade que existe para se conquistar um cliente internacional. “Na hora em que você deixa de atender um importador há a perda de credibilidade. A partir daí, ele vai buscar uma alternativa confiável porque precisa da mercadoria que não foi entregue. No futuro esse importador vai olhar o País com restrições e não voltará a fazer negócios com as empresas nacionais”, explica Sidnei Docal.

A ameaça: descontinuidade das vendas que a alto custo passaram a ser feitas por empreendedores brasileiros no mercado internacional.

Outro fato relevante que agrava o problema é a tendência mundial de utilizar o “just in time”, ou seja, trabalhar com estoques menores, reduzindo a armazenagem. Dessa forma, não haveria tempo para esperar o término da greve para reabastecer as mercadorias nos mercados externos. “Isso mostra que até os compradores de outros países terão problemas em suas operações”, finaliza o gerente da ACSP.

Estela Cangerana