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Brasil é afetado por variante do vírus Bugbear

Guarulhos, 06 de junho de 2003

Por volta das 18h30m desta quinta-feira, o Brasil liderava o número de consultas à vacina gratuita colocada no site da Trend Micro para o vírus Bugbear.B, uma variante do vírus de mesmo nome criado em setembro passado, na Malásia, e que surgiu na madrugada passada.

As companhias de sistemas antivírus, no entanto, acreditam que essa nova versão tenha sido criada em algum país da Europa. O Brasil liderava as consultas sobre a praga, seguida da Itália e dos Estados Unidos, em função, sobretudo, do fuso horário – a infecção chegou aqui em pleno início do horário comercial. O vírus promete ser um dos mais danosos e permanecer fazendo estragos por muitos dias.

Como explicou Roni Katz, engenheiro de sistemas da Network Associates Inc. (NAI), há dois grandes perigos envolvidos no Bugbear.B. O primeiro é que ele instala o que no jargão do setor se chama de “Trojan” nas máquinas infectadas. Isso permite que qualquer outra pessoa conectada à internet em outro micro possa acessar os arquivos instalados no equipamento contaminado.

O segundo é a instalação de um “key logger” na máquina que guarda tudo o que for digitado no dia da infecção.

– Os hackers conseguem ter acesso a esses arquivos e, se a pessoa digitou sua senha no site do banco, por exemplo, está correndo risco de vê-la hackeada – explica o engenheiro da NAI.

O novo vírus também envia mensagens de e-mail com títulos de assuntos familiares como “Olá”, “Interessante”, “Só para te lembrar…”.

O Bugbear se aproveita de uma vulnerabilidade conhecida do Internet Explorer da Microsoft e pode começar a operar automaticamente, sem a abertura do arquivo atachado.

Segundo ele, os vírus ganham mais complexidade e poder a cada nova versão porque os criadores desses programas querem notoriedade, especialmente entre a sua comunidade de hackers. “Quanto mais estragos, mais divulgação na imprensa. É isso o que eles querem”, afirmou.

As companhias de antivírus detectaram a existência da nova variante do Bugbear na madrugada desta quinta-feira (5) e agilizaram a criação de uma vacina, colocada à disposição em seus sites. Mas elas sabem que muitos usuários, especialmente os domésticos, nem sempre fazem a atualização de suas vacinas com freqüência.

– A chance de reinfecção é grande – explica Katz.