Bom momento para negócios com os EUA
O embaixador brasileiro em Washington (EUA), Antônio Patriota, considera que as relações entre Brasil e EUA vivem um bom e importante momento. Para ele, a aproximação política e comercial deverá progredir, mesmo que, depois do final do mandato do presidente George W. Bush, seja eleito novamente um presidente republicano, ou um democrata
Quanto à Área de Livre Comercio das Américas (Alca) foi bem claro: “Está hibernando”. Mas não descartou acordos bilaterais firmados entre EUA e Mercosul, com ou sem a Venezuela. “Não só o presidente Lula precisa convencer os brasileiros, mas também o presidente Bush precisa convencer (os americanos) dos benefícios da Alca”, disse para uma seleta platéia de empresários na Associação Comercial de São Paulo (ACSP), na última sexta-feira (3).
Segundo Patriota, a visita de Bush a Lula, em 2005, estabeleceu um novo patamar de relacionamento com o Palácio do Planalto. Ali, esclareceu, firmaram-se mecanismos de diálogo que os EUA mantinham com apenas quatro países em todo o mundo: Rússia, Índia, Japão e Austrália. O Brasil tornou-se o quinto da lista. Esse entrosamento foi aprimorado e aprofundado na visita que o presidente Bush fez a São Paulo em 2006, quando foi discutida a questão energética e se acertou uma parceria na área de biocombustível. A “inflexão” bilateral, observou Patriota, foi ampliada para uma cooperação triangular que inclui, além da América Latina, também o Caribe.
A visita também abriu novos horizontes para a inserção do Brasil como “player global”, e não apenas regional, como já se admite nos EUA desde o início da gestão Bush.
Essa postura global deverá ficar mais acentuada a partir de 2008, quando o Brasil participará de encontros em Bruxelas e em Miami, envolvendo governos, setor privado e agências internacionais, como o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), em torno de temas que vão além do biocombustível.
Privilégio – Patriota garantiu que o Brasil tem uma posição privilegiada hoje no cenário político norte-americano, conturbado com a guerra do Iraque e com a antecipação da disputa eleitoral de 2008. “Washington valoriza a relação com o Brasil”. Para ele, isso ocorre por quatro razões: o entendimento direto entre Lula e Bush, o respeito dos Estados Unidos pela democracia brasileira, o bom desempenho da economia do Brasil e o esforço desenvolvido pelo Itamaraty ao longo dos últimos anos.
Alencar Burti, presidente da ACSP, disse que o Itamaraty pode contar com a rede capilar das Associações Comerciais em São Paulo e no Brasil para ampliar as relações comerciais com os EUA. “Por isso trabalhamos junto com o governo para impulsionar as exportações do setor privado”, disse. O secretário de Relações Internacionais da prefeitura paulistana e coordenador da SP Chamber, da ACSP, Alfredo Cotait Neto, lembrou que “o embaixador também pode contar com a cidade de São Paulo como parceira nesse esforço”.







