Boa escolha do ponto de venda é decisiva para o sucesso
Abrir um negócio próprio é uma idéia recorrente no Brasil, considerado um dos países mais empreendedores do mundo. Quem planeja ser seu próprio patrão, no entanto, deve levar em conta o alerta de especialistas de que é impossível ter sucesso sem uma escolha cuidadosa do ponto. “O local é um aspecto estratégico, que determina o fluxo de pessoas na loja”, lembra a especialista em marcas e varejo da Trevisan Escola de Negócios, Luciane Robic
Ela recomenda que antes mesmo de sair buscando um imóvel, o empresário tenha clareza sobre o tipo de cliente que pretende atrair. “É preciso saber o perfil desse público (se é homem, mulher, criança, de alto ou baixo poder aquisitivo) e observar os hábitos de compra da clientela” – aspectos que já sinalizam quais regiões devem ser pesquisadas.
Em São Paulo, exemplifica, as pessoas em geral consomem onde moram ou onde trabalham. “Por isso, vemos essas torres que são montadas (shopping centers vizinhos a prédios comerciais), com tudo o que as pessoas precisam.”
Cada região tem suas características. Em São Paulo, além do hábito de freqüentar esses centros de compra, a população tem algumas regiões de varejo especializado como referência, diz Luciane, referindo-se a concentrações como as da Rua da Consolação (lustres), Santa Ifigênia (eletrônicos) e Oscar Freire (moda e luxo).
“Há institutos especializados em pesquisar a sócio-geografia de um lugar”, diz a consultora. Os estudos do gênero trazem dados quantitativos (como número de famílias da região, com as respectivas classes sociais) e qualitativos (como os hábitos de compra).
A análise de um ponto comercial também requer a observação de questões como acesso (do público e dos funcionários), segurança e possibilidade de ampliação, acrescenta Luciane. Se o imóvel for de rua, a oferta de estacionamento e a segurança podem ser a diferença entre atrair ou não a clientela.
Shopping – Até os shopping centers, que aparentam contemplar todas essas exigências, merecem análise cuidadosa, ensina o diretor de Relações com o Mercado da Associação Brasileira de Lojistas de Shopping Centers (Alshop), Luís Augusto Ildefonso.
Em grandes cidades, como São Paulo, há regiões que podem acomodar vários shoppings. “O empresário deve pesquisar o mix de produtos de todos eles, para saber se é viável montar seu negócio ali.” O ideal, segundo Ildefonso, é conferir o ponto pessoalmente, em diferentes dias e horários, apesar das informações que os corretores dos shoppings sempre oferecem.
Ildefonso recomenda que o empresário busque consultoria especializada para analisar o contrato. Em geral, eles têm duração de cinco anos, com reajuste anual pelo Índice Geral de Preços de Mercado (IGP-M) ou o Índice de Preços ao Consumidor – Fipe (IPC).
Além do aluguel, o lojista arcará mensalmente com um valor pelo condomínio, mais a verba de promoção. Há casos – e vale prestar atenção – em que os contratos prevêem reajustes futuros, calculados com base em projeções de crescimento do empreendimento.
Luvas – A cobrança de luvas, valor que se paga pelo ponto, é comum nos shoppings e em imóveis de rua. E não é ilegal, explica o diretor de legislação e inquilinato do Sindicato da Habitação (Secovi), Jaques Bushatsky. “É um valor negociado à parte. Pode constar no contrato ou em outro documento. É proibida na renovação do contrato”, diz.
Antes de definir esses detalhes, no entanto, é preciso saber qual a quantidade de pessoas que o imóvel comporta, alerta Bushatsky. Um prédio antigo pode não ter condições de arcar com o peso de uma livraria, por exemplo. Além disso, há condomínios que proíbem algumas atividades. Também é preciso certificar-se de que a pessoa que assina o contrato tem autorização legal para isso. Há imóveis com vários donos.







