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BNDES tem R$ 2 bi para o comércio

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) tem R$ 2 bilhões em análise em sua carteira de projetos para o comércio e o setor de serviços, fora do Finame e do BNDES Automático, principais linhas de crédito do banco de fomento. Caso mantenha a tendência dos últimos três anos, os varejistas ficarão com parcela considerável desse montante, uma média de 60% do crédito aprovado.

Dados do banco indicam evolução nos valores destinados ao comércio e ao setor de serviços desde 2004, quando foram liberados R$ 114 milhões (90% para o varejo). Em 2005 o volume ficou em R$ 307 (69% para os varejistas) e em 2006 saltou para R$ 570 milhões (85% destinados ao comércio). Grande parte dos financiamentos do BNDES cobre 60% dos investimentos dos grupos interessados. O crédito custa, em média, a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), hoje de 6,1%, mais 1% ao ano.

Supermercados — Neste ano, as duas primeiras operações aprovadas somavam R$ 879,7 milhões, antes mesmo do final do primeiro trimestre. Ambos os beneficiados são do setor varejista: a rede Carrefour, que captou R$ 692,4 milhões, e o Pão de Açúcar, cujo financiamento aprovado envolve R$ 187,3 milhões. Os dois grupos informaram que o dinheiro terá como destino a abertura de novas lojas e a modernização do sistema de atendimento em suas unidades.

O aquecimento na liberação dos financiamentos para o varejo, segundo o chefe do Departamento de Comércio, Serviços e Turismo do banco de fomento, Carlos Eduardo Castello Branco, é resultado do aumento da concorrência entre as redes, principalmente os supermercadistas, e de retomada mais acentuada do consumo dos brasileiros desde o fim de 2004. “A
expansão das unidades é fator primordial na disputa desse mercado. Além disso, a redução dos juros, aos poucos, aumenta a capacidade de consumo dos brasileiros. Nesse cenário, os supermercadistas buscam os financiamentos para aproximarem suas lojas desse público”, avaliou.

Castello Branco destacou a safra de novos clientes do banco e o retorno de empresas que realizaram captações antes de 2004. Entre as “debutantes” estão a Globex Utilidades S.A., empresa que controla o Ponto Frio, cuja captação, em janeiro passado, foi de R$ 99 milhões. O financiamento irá para ampliação e reforma de 176 lojas e abertura de outras 98.

A Lojas Americanas voltou ao BNDES para obter R$ 221 milhões, recursos que irão para um projeto de modernização da administração de toda rede até o final de 2008.

Embora os números mais vistosos na carteira de financiamentos do BNDES sejam os das grandes empresas, Castello Branco informou que o banco também financia empresas de pequeno e médio portes do comércio e do setor de serviços. Mas, nesses casos, as operações são intermediadas pelos bancos que repassam as linhas do crédito oficial. “O BNDES só fecha diretamente com as empresas empréstimos superiores a R$ 10 milhões”, afirmou.

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