O governo determinou ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) providências para amenizar a escassez de linhas comerciais de curto prazo de financiamento às exportações. O BNDES, com orçamento de R$ 28 bilhões este ano, está promovendo um remanejamento interno de sua carteira de empréstimos para ampliar a oferta de recursos para as exportações. Haverá também um redirecionamento das linhas do BNDES-Exim (braço de comércio exterior do banco), com o reforço das operações de pré-embarque, que funcionam como capital de giro para os exportadores.
Segundo o ministro do Desenvolvimento, Sergio Amaral, a medida é emergencial e tem por objetivo “ampliar as linhas de financiamento ao comércio exterior, de forma a suprir o mercado enquanto prevalecer o atual elemento de incerteza”. Ele acredita que a realocação de recursos do BNDES terá curta duração, não prejudicando, portanto, os demais compromissos do banco oficial. Amaral aposta no restabalecimento das linhas comerciais logo que seja acertado o acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI).
No remanejamento das linhas do BNDES-Exim, recursos para serem liberados após embarque das mercadorias serão redirecionados ao pré-embarque, para financiar a fabricação do bem a ser exportado. O ministro disse ainda que será facilitado o acesso de pequenas e médias empresas às linhas do BNDES-Exim. E garantiu que não faltarão recursos às exportações brasileiras que, nos primeiros seis meses deste ano, receberam financiamentos de US$ 1,8 bilhão do BNDES-Exim, e, em todo o ano passado, US$ 2,6 bilhões.
O BNDES busca também novas fontes de recursos para financiar o comércio exterior. Contatos já foram travados com organismos financeiros da região, como Corporação Andina de Fomento (CAF), órgão multilateral do grupo andino, Banco Internamericano de Desenvolvimento (BID), Fonplata e Bladex.
Possíveis efeitos negativos da restrição de crédito comercial ainda não estão sendo levados em conta nas previsões de balança comercial feitas pela Fundação Centro de Estudos de Comércio Exterior (Funcex) e Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) “É preciso aguardar “, diz o pesquisador da Funcex, Fernando Ribeiro,que mantém previsão de saldo comercial acima de US$ 5 bilhões este ano, devido sobretudo à retração de importações.
Na opinião do presidente da Fiesp, o comércio exterior e o aumento das exportações nunca entraram, de fato, na agenda de prioridades do governo Fernando Henrique Cardoso. “Não sinto o País com consciência clara da importância do comércio exterior”, disse Piva, referindo-se à necessidade de políticas industrial e de substituição competitiva de importações. Ele está convencido, contudo, de que o incremento das exportações brasileiras estará no topo das prioridades do próximo governo, independentemente de quem vier a ser o presidente da República. “A sociedade brasileira não mais se contentará com políticas monetária e fiscal; ela quer emprego e crescimento econômico e isso passa pelo aumento das exportações”, disse.
O chefe do departamento econômico do BNDES, Armando Castelar, lembra que a relação dívida externa-exportação é fator importante na classificação de risco do País. Para ele, é urgente o salto quantitativo nas exportações brasileiras para o equilíbro das contas externas.