O diretor de Produtos e Exportação do BNDES, Isac Zagury, disseque a instituição está avaliando formas para auxiliar seus clientes mediante o enxugamento das linhas de curto prazo às exportações nos bancos privados. Zagury disse que o BNDES estuda com cada empresa fórmulas especiais para superar a falta de oferta de linhas de financiamento e destacou que se receber novos recursos do governo, certamente terá condições de alocar mais linhas de crédito às empresas. Ele frisou que tudo depende da posição do governo, fonte de recursos do BNDES.
Zagury, que participou do seminário “Políticas de Competitividade e Comércio Exterior”, na Fiesp, disse que apenas no mês de julho, 35% do total despendido pelo banco foi destinado ao crédito para exportações. Ele lembrou que em 1996, o banco disponibilizou às vendas externas apenas 4,1% de seus recursos. Esse número cresceu ano a ano e atingiu 24,5% em 2001.
Até julho deste ano o banco disponibilizou US$ 2,2 bilhões para financiar exportações, volume 40% superior ao registrado no mesmo período do ano passado. Em 2001, os recursos totais do BNDES para as vendas externas foi de US$ 2,6 bilhões. “O banco redirecionou suas prioridades e tem dado mais atenção ao comércio exterior, o que explica a alocação cada vez maior de recursos para financiar as vendas externas.”
Saldo comercial
Segundo Zagury, a balança comercial deste ano deve superar os US$ 6 bilhões. A melhoria da competitividade do produto brasileiro no exterior e a conquista de novos mercados, como o Oriente Médio, Ásia, China e Índia, são as principais alavancas para os resultados positivos do comércio exterior, incluindo o destacado superávit de julho, de US$ 1,197 bilhão.
O papel da recente escalada do dólar frente ao real sobre as vendas externas ainda não foi sentido nos resultados da balança, segundo ressaltou o secretário-executivo do Ministério da Ciência e Tecnologia, Carlos Américo Pacheco. Isso porque, os contratos de exportação foram fechados meses antes da forte desvalorização cambial.
Zagury reiterou que o câmbio é um instrumento importante para elevar as exportações, mas o atual patamar não tem qualquer fundamento, considerando-se a economia brasileira. Para o ano que vem, o BNDES estima um papel mais preponderante das montadoras no comércio exterior. Isso porque, o banco tem em carteira 13 projetos para o setor que destinam 25% da produção para as vendas externas.
Zagury disse que o Brasil deixou de ganhar US$ 8,6 bilhões no ano passado por conta da queda nos preços das commodities. Para chegar a esse valor, ele multiplicou os volumes exportados em 2001 pelos preços médios praticados em 1997. “Se não fosse por esse motivo, estaríamos muito próximos a um superávit ideal”, afirmou. ele destacou, também, que o Brasil vai gerar neste ano entre US$ 4 bilhões e US$ 6 bilhões de caixa para a Argentina, por conta de forte diminuição das exportações para o país vizinho.
Confiança
O empresário Carlos Roberto Liboni, primeiro vice-presidente da Fiesp, disse que apóia a ida do Brasil ao FMI. Para ele, que falou em nome da entidade, há um descompasso muito grande entre a realidade e a interpretação que o mercado tem do Brasil. Por isso mesmo, qualquer tipo de sinalização positiva que possa aproximar realidade e interpretação é muito importante.
Ele destacou que a visita, na semana passada, da vice-diretora-gerente do FMI ao Brasil, Anne Krueger, já foi um sinal de confiança do fundo em relação ao País. Na época, Liboni recebeu a diretora do fundo, que se reuniu com empresários da Fiesp. Ele acredita que um eventual acordo com o Fundo indicará ainda mais confiança nos fundamentos da política econômica brasileira.
Paula Puliti