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BC ajuda a economia, diz Meirelles

O Banco Central (BC) tem ação preventiva, e não reativa, e adota uma estratégia para evitar inflação volátil, que provoca arrancadas e freadas na economia. A declaração foi feita ontem pelo presidente da instituição, Henrique Meirelles, na Câmara dos Deputados, em audiência pública para prestação de contas e avaliação das metas das políticas monetária, creditícia e cambial, e análise do balanço semestral da autarquia.

Ele acrescentou que “as ações da política monetária são voltadas para o futuro, e não para a inflação do mês passado. A atuação dos bancos centrais, no Brasil e no mundo, é preventiva”. Ao comentar a recente crise no crédito imobiliário norte-americano, Meirelles afirmou: “É muito importante enfatizarmos que os bancos centrais tiveram ação preventiva, e não reativa, já que a política gradual evita mudanças abruptas na política monetária”, disse Meirelles. “No caso do Brasil, há razões para continuarmos acreditando na expansão econômica, embora o País não esteja totalmente imune ao que se passou com os parceiros externos”.

Ele voltou a afirmar que o aumento da turbulência internacional ocorre no momento em que o Brasil está preparado. Meirelles lembrou que as reservas internacionais são de cerca de US$ 160 bilhões, há menor endividamento externo, maior flexibilidade cambial, redução da dívida em relação ao Produto Interno Bruto (PIB), aumento da geração de emprego e inflação em queda.

O presidente do Banco Central disse ainda que a inadimplência no setor imobiliário americano poderá se elevar nos próximos meses. “As conseqüências da crise não são delimitadas como sua origem. São incertas”, alertou. Ele acredita que a economia mundial deverá sofrer uma desaceleração em 2008.

Meirelles lembrou que ao contrário do que ocorreu nos Estados Unidos e Europa, não foi necessária a intervenção do BC no Brasil para conter os efeitos da crise americana.

Cheque especial –
Meirelles recomendou aos clientes dos bancos que não usem o cheque especial, que fechou setembro com uma taxa de juro de 140% ao ano. “Os consumidores devem ser informados de que, de todas as modalidades de crédito, o cheque especial é a mais cara, porque, inclusive, tem disponibilidade imediata. O cliente só deve usá-lo em último caso”, afirmou.

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