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Bancos restabelecem linhas de crédito para o Brasil

Bancos europeus que não estão presentes no mercado brasileiro mas que são tradicionais provedores de linhas de financiamento para o comércio exterior do país através de outras instituições financeiras estão reestabelecendo gradualmente essas operações desde o início deste ano. Essa retomada da oferta do ´trade finance´ ainda está sendo cautelosa, com volumes limitados, prazos que não ultrapassam 180 dias e com juros entre 2,5% e 2,75% mais libor.

Em junho do ano passado, quando ainda não havia ocorrido a volatilidade econômica no Brasil provocada pelas incertezas eleitorais, o custo de um empréstimo com prazo de 180 dias era de cerca 0,95% mais libor.

“Os bancos estão reestabelecendo as suas linhas de financiamento de até 180 dias para o país, o que representa uma clara melhora em relação ao quadro que vimos até o final do ano passado”, disse à Agência Estado o responsável para financiamento ao comércio exterior brasileiro na sede do banco britânico Lloyds TSB, Sérgio Gullo. “Já era esperado que após o final do ano, quando os bancos querem manter a exposição ao risco limitada nos seus balanços, as linhas seriam reabertas”, explicou Gullo.

Ele observou que a recuperação de linhas de trade finance com prazos mais longos e custos mais baratos para as empresas brasileiras ainda deve demorar pois está condicionada ao cenário externo. “Os bancos ainda temem que uma guerra no Iraque possa ter um choque na economia brasileira”, afirmou. “Por isso estão concedendo linhas de no máximo 180 dias pois acreditam que nesse período, mesmo que ocorra algo no Iraque, um eventual impacto no Brasil seria sentido com mais intensidade mais tarde.”

Perspectivas excelentes

Gullo salientou, no entanto, que as perspectivas de financiamento para o Brasil após a melhora das incertezas no cenário externo são “excelentes”. “O Brasil, mais uma vez está sendo vítima de um fator externo pois se fosse depender apenas do País, a força do retorno dos créditos seria muito maior”, disse. “Os investidores estão muito satisfeitos com os primeiros passos do novo governo mas sabem que o País ainda está vulnerável a choques externos.”

João Caminoto

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