Os bancos já estão comemorando a migração dos investidores para a caderneta de poupança. Muitas instituições financeiras não possuem tradição nesse mercado e querem aproveitar a oportunidade para atrelar os novos recursos ao mercado imobiliário.
“Para nós, essa boa fase da poupança é muito benéfica, porque temos a intenção de ampliar nossa participação no mercado imobiliário, e a poupança é, sem dúvida, um dos caminhos para isso”, afirma o superintendente-adjunto de captação do Grupo Santander Banespa, Marcus Matos. O grupo tem atualmente participação de 3% do mercado de poupança, que fechou o ano passado com estoque de R$ 235,2 bilhões, segundo dados do Banco Central (BC). Mas a intenção, de acordo com o executivo, é aumentar gradualmente esse percentual, à medida que os investidores acelerem o processo de migração de aplicações.
“Quando os juros básicos estavam em 18%, valia a pena investir em um fundo de renda fixa. Agora, o investidor começa a ter dúvidas de que essa é uma boa alternativa. Muitos têm preferido a poupança por conhecer e confiar nesse tipo de investimento”, diz.
Líder – A Caixa Econômica Federal, que é líder no segmento de poupança, com participação de 32,45%, também está otimista. Apenas no mês de janeiro, quando a caderneta teve captação líquida de R$ 1,8 bilhão, segundo o BC, a Caixa captou R$ 1,36 bilhão. O resultado foi o melhor para um mês de janeiro nos últimos dez anos.
O vice-presidente de Pessoa Física da Caixa, Fábio Lenza, também atribui o resultado à rentabilidade oferecida e às características de segurança, liquidez imediata e praticidade. “Além disso, acreditamos que houve recuperação da renda do brasileiro nos últimos anos, e que parte dessa renda foi dirigida para a caderneta de poupança”, afirma.