No fogo-cerrado da discussão sobre as altas taxas de juros praticadas no Brasil, os bancos comerciais começam a reduzir, ainda que simbolicamente, as taxas de suas linhas de financiamento. A primeira ação veio de um banco “oficial”, a Nossa Caixa, que reduziu as taxas de 15 linhas de crédito antes de o Banco Central promover o corte de meio ponto na Selic.
O Itaú anunciou uma pequena mexida nas taxas que cobra de seus clientes no mesmo dia em que a aguardada decisão do BC foi anunciada. E na última sexta-feira outros dois grandes bancos comerciais seguiram a mesma trilha: Bradesco e Unibanco. Outro grupo, o Santander Banespa, deve fazer comunicado parecido nesta segunda-feira.
De acordo com Décio Tenerello, vice-presidente do Bradesco, a decisão de reduzir as taxas “é muito mais um esforço particular do banco do que reflexo do corte na Selic”. Por enquanto, o Bradesco só anunciou cortes em duas linhas: cheque especial e crédito pessoal. A taxa máxima cobrada pelo Bradesco no cheque caiu de 9,70% para 9,50% ao mês – ao ano, representa um corte de 6,58%. Já no empréstimo pessoal, a taxa máxima caiu de 6,30% para 6%, o que, ao ano, representa queda de 6,94%. Tenerello defende que, na reunião que acontece nesta semana, o Conselho Monetário Nacional (CMN) reduza de 60% para 45% a alíquota para recolhimento de depósitos compulsórios à vista. Tal medida, segundo ele, “é uma injeção na veia dos nossos custos de captação” e representaria novos e imediatos cortes nas taxas cobradas em financiamentos.
No Unibanco, a taxa máxima no cheque especial para pessoa física caiu de 9,4% para 9,3%, enquanto no crédito pessoal recua de 6,9% a 6,3%. A diferença em relação aos concorrentes, segundo Rogério Estevão, diretor de produtos e varejo, é que o banco beneficiará 550 mil clientes que não necessariamente pagam a taxa máxima. Estevão afirma que os bons clientes, que pagam em dia e nunca ficaram inadimplentes, serão os mais beneficiados. A motivação para baixar os juros, dizem os executivos, é o cenário mais róseo que se projeta para a economia brasileira.
Tenerello lembra que os juros, no mercado futuro, e a inflação estão em queda. “Nos próximos 12 meses a inflação deve atingir as metas fixadas”, argumenta. Estevão diz que embora as análises sobre a economia nunca sejam unânimes, o Unibanco antecipou-se e já considera uma possível mudança nas regras do compulsório. Ele entende que tão logo mudanças sejam anunciadas, outros bancos comerciais também reduzirão suas taxas de financiamento. Mas no caso de o CMN não mudar nada no compulsório, ele garante que o Unibanco não voltará atrás. “O ambiente econômico permite as alterações sem que daqui a um ou dois meses as taxas retornem.”
Patrícia Fortunato