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Balança surpreende: cresce importação de bens de capital

Setores como o de aço, minério e papel e celulose vão bem nos negócios com o mercado externo apesar da valorização do real

Exportações em alta, importações idem. E, desta vez, o câmbio é bandido e mocinho ao mesmo tempo. Afinal, se dólar depreciado frente ao real prejudica a maioria dos setores exportadores, também incentiva aqueles que vão bem (como aço, minério e papel e celulose) a aumentar seus investimentos e adquirir máquinas e equipamentos, favorecendo as importações. Esse é o resumo da balança comercial brasileira no mês de maio, quando registrou superávit de US$ 3,452 bilhões.

Segundo a divulgação do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, o resultado foi recorde para o período, superando maio do ano passado, quando alcançou US$ 3,112 bilhões. As exportações somaram US$ 9,819 bilhões, com média diária de US$ 467,6 milhões, a maior já registrada nas vendas externas brasileiras. Sobre igual período de 2004, o aumento foi de 23,6% e, sobre abril, de 1,6%.

Compras em alta – O destaque maior, porém, ficou mesmo com as importações que, incentivadas pelo câmbio, seguiram a onda de crescimento e alcançaram US$ 6,367 bilhões, também o maior valor mensal já registrado. A média diária foi de US$ 303,2 milhões, recorde para meses de maio. Na comparação com igual período de 2004, o aumento foi de 31,8% e, sobre o mês de abril, de 13,9%.

Todas as categorias de importação apresentaram expansão, mas a que mais chamou atenção foi a de bens de capital, ou seja, investimentos, com crescimento de 33,1%. Isso, um dia depois da divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro ter apresentado queda de 3% justamente em investimentos no primeiro trimestre de 2005.

Para Alex Agostini, economista da GRC Visão, isso ocorreu porque o setor agropecuário, apesar de expansão no PIB, foi muito afetado pela depreciação do dólar e reduziu investimentos em máquinas e equipamentos. A prova é que, no primeiro quadrimestre, as vendas para o setor caíram 21%, segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias de Máquinas e Equipamentos (Abimaq).

“Ao mesmo tempo, segmentos como o de aço, mineração e papel e celulose, que apesar da depreciação conseguem repassar reajustes em seus preços em dólar, aproveitam para adquirir máquinas e equipamentos, que possuem alto valor agregado. Daí o motivo do crescimento das importações em maio”, explica Agostini. Tanto é assim que, entre os bens de capital, aumentaram as aquisições de equipamento móvel de transporte (100,9%), maquinaria industrial (59,8%) e acessórios de maquinaria industrial (39,3%).

Mas, para o diretor do Departamento de Comércio Exterior do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Humberto Barbatto, isso não significa que as empresas esperem melhoras no cenário econômico. “Na verdade, se tiver boa oportunidade de compra, como acontece agora, o empresário faz a aquisição, mesmo que não vá utilizar já o equipamento”, diz.

Segundo Barbatto, uma nova máquina pode representar ganho de produtividade, que traz redução de custo e aumento de competitividade. “Esses fatores juntos podem significar uma chance de algumas empresas, que se afastaram das exportações por conta do câmbio, voltarem a exportar. Na minha opinião, é ainda a única oportunidade para crescimento.”

Patrícia Büll

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